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Unidos contra o “jeitinho brasileiro”

Guarulhos, 14 de junho de 2005

Uma campanha televisiva que mostra, entre outras coisas, até que ponto alguns brasileiros chegaram para fugir da alta carga de impostos, está chamando a atenção da população. Com o slogan “Não, esse não é o tipo de brasileiro que eu quero para o meu País”, o Etco – Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial – está veiculando cinco filmes para tentar acabar com o famoso “jeitinho brasileiro”, incentivado pelo excesso de burocracia e pela alta carga tributária. Produzidos pela Central Globo de Comunicação, a pedido da entidade, formada por empresas privadas, os filmes retratam tipos como o “fiscal corrupto”, “o político” o “funcionário público” e “sonegador contumaz”.

Sonegômetro – Dentro de sua estratégia de oferecer soluções para acabar com a sonegação fiscal, resultante da alta carga de impostos, o Etco disponibiliza na internet (www.etco.org.br) uma ferramenta que revela o quanto o governo perde em arrecadação – em decorrência de evasão fiscal, falsificação de produtos e contrabando nos setores de bebidas, combustíveis e cigarros – enquanto o cidadão navega pelo site do instituto: o sonegômetro.

O presidente do Etco, Emerson Kapaz, explica que o objetivo da campanha na televisão que retrata o “jeitinho brasileiro”, no ar desde o início do mês, é provocar indignação sobre certos comportamentos que, segundo ele, deviam ser rechaçados e acabaram se tornando comuns. “É nossa indignação com relação a esse tipo de prática que vai fazer com que as reformas política e tributária aconteçam no Brasil”, diz.

Mas o diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, acredita que a campanha pode denegrir a imagem do empresário brasileiro. “A maioria dos empresários que estão na informalidade, em sua maior parte pequenos, só estão nessa situação porque não teriam condições de sobreviver no mercado com a alta carga tributária e burocracia atuais”, lembra. Para ele, a campanha deveria atacar as causas e não os efeitos de uma política tributária injusta.

Kapaz admite que as principais causas desses comportamentos são o sistema tributário falho, a burocracia e a impunidade, mas ainda assim condena a sonegação de impostos. “Se a carga tributária é alta, existem saídas comprovadas para mudar isso. Com relação à Medida Provisória 232, por exemplo, conseguimos derrubar o aumento de impostos através de atos públicos”, afirma Kapaz, ao lembrar da pressão feita pela Frente Brasileira contra a MP 232.

Pesquisa – Kapaz adiantou que, em agosto, o Etco vai divulgar os resultados de uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para mostrar como reduzir a carga tributária, sem perder arrecadação. “Por meio deste estudo vamos provar que com a unificação das alíquotas de ICMS, por exemplo, haverá diminuição da sonegação e aumento no recolhimento de impostos”.

Hoje, uma empresa gasta 1,5% do faturamento para estar em dia com a legislação trabalhista e tributária, entre outros controles, segundo Kapaz. “Tudo isso é custo para o empresário, mas temos que lutar para simplificar essa burocracia e não molhar a mão do fiscal.”

Mas, para Kapaz, ao mesmo tempo em que a sociedade tem que se conscientizar de que sonegar impostos ou comprar produto pirata é ruim para ele próprio “porque isso diminui a arrecadação e a arrecadação é nossa”, é preciso aumentar a pressão para que o governo preste melhores serviços com os recursos que arrecada. “A participação da sociedade civil no Conselho Nacional de Combate à Pirataria para controlar a aplicação de recursos do governo na luta contra o comércio de produtos falsificados é um exemplo disso”, diz.
 
Laura Ignacio