Tempo é aliado da rentabilidade
Em um ambiente de juros baixos ficou mais difícil fazer o dinheiro crescer em aplicações de renda fixa no curto prazo. Mas se o dinheiro puder ficar aplicado por um período maior (acima de um ano), o ideal é fazer uma reflexão sobre outras alternativas de investimento disponíveis no mercado. Junto com essa reflexão, vale também a de tomar um pouco mais de risco e colocar uma parcela (mesmo que pequena) dos recursos em renda variável.
Quando a Selic estava em um patamar de dois dígitos – hoje é de 7,25% ao ano –, o investidor tinha o hábito de buscar aplicações com liquidez diária, costume que precisa ser revisto.
No atual momento, o prazo das aplicações é um componente importante na definição do retorno. Especialistas em finanças pessoais recomendam ao pequeno poupador revisar o portfólio, com atenção especial ao horizonte de tempo. Isso porque agora é ainda mais importante não deixar todos os “ovos na mesma cesta”.
“Muitas vezes o investidor quer liquidez diária em tudo, até mesmo para um dinheiro que vai usar daqui a dez anos. É um costume difícil de mudar, mas vale a pena fazer uma reflexão”, diz o professor do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (Labfin-FIA), Bolívar Godinho.
Quem também critica esse costume antigo é o sócio da Polo Capital Management, Mariano Andrade. “A indústria (de fundos) acostumou a ter 70% do patrimônio em aplicações de liquidez diária quando a Selic estava alta. Isso não é mais razoável”, afirmou, durante evento promovido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
O consultor da Anbima e professor da FIA e do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Ricardo Humberto Rocha, diz que é preciso pensar duas vezes antes de comprometer demais a liquidez das aplicações. “Na minha opinião, o momento é de incógnita. O investidor deve se perguntar: o juro já caiu, mas será que vai cair mais? A inflação vai sair de controle? Na minha opinião, o governo não vai manter o juro baixo se a inflação continuar subindo. Se ela chegar a 7% será preciso aumentar a Selic”, afirma.





