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Surge o melhor produto da indústria em 2003: emprego

Guarulhos, 10 de dezembro de 2003

ArteO nível de empregos na indústria paulista deve encerrar o ano com recuperação de até 0,5% sobre 2002, o que significa a retomada de 2 mil a 5 mil vagas. A estimativa é da diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Clarice Messer. Se confirmada a projeção, 2003 será o segundo melhor ano desde 1995, quando a Fiesp fez a primeira apuração completa (12 meses) da série.

O único ano positivo no emprego até então havia sido 2000, com a criação de 27,4 mil vagas, alta de 1,71% sobre 1999. Todos os outros fecharam com queda no número de vagas, como 2002, que teve recuo de 4,43% sobre 2001.

Segundo Clarice, o aumento de 0,29% no nível de emprego em novembro (4.418 postos recuperados), divulgado nesta terça-feira, 09, levou a Fiesp a revisar a projeção para o fechamento de 2003. Desde junho, a entidade mantinha a projeção de que o ano terminaria com um saldo negativo de 6 mil postos de trabalho sobre 2002.

Alento – Mas novembro trouxe um alento. Os números foram os melhores apurados para o mês desde 1994 (0,35%), quando a série começou a ser apurada. “Vamos terminar o ano bem, considerando que estamos na bacia das almas”, comemorou a economista, logo no início da divulgação do índice.

De acordo com Clarice, apesar dos números positivos, a indústria paulista emprega hoje cerca de 30% menos trabalhadores de que em 1994. “Olhando os últimos dez anos, com o enxugamento das empresas, até que estamos encerrando o ano com uma perspectiva bem melhor”, afirmou.

Até novembro, o nível acumulado de empregos estava 0,66% acima do que o registrado no mesmo período do ano passado. Mas Clarice ressalvou que dezembro é um mês tradicionalmente de demissões na indústria, por conta dos empregos temporários. O dado já está incluído na nova projeção para o nível de empregos e explica o porquê de um percentual de alta prevista para o ano inferior ao acumulado nos 11 primeiro meses do ano.

Sazonalidade – A diretora da Fiesp descartou que a alta no nível de empregos registrada desde setembro seja fruto exclusivo da sazonalidade do fim do ano. Ela disse que, nesta virada do ano, já há claros sinais de crescimento sustentado nos setores de bens duráveis e de capitais (este último demonstra intenção de investimentos), que começam a se espalhar para outras áreas. Em setembro, a alta foi de 0,29% e, em outubro, de 0,51%.

No acumulado de janeiro a novembro, os setores de peso na apuração do índice que tiveram melhor desempenho em emprego foram os ligados à exportações: congelados (17,7%), calçados de Franca (17,2%), matérias-primas para fertilizantes (9%), materiais e equipamentos ferroviários (8,3%) e máquinas (5,3%). Na ponta negativa, os piores desempenhos foram esquadrias e construções metálicas (-16,6% vagas) e mármores e granitos (-12 4%), segmentos da indústria da construção civil, além de aparelhos elétricos (-8,5%), e artefatos de papel (-6,6%). Este último segmento está diretamente ligado a embalagens para consumo interno.