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Relacionamento digital em alta

Guarulhos, 19 de outubro de 2009

A internet faz parte da vida das pessoas e das empresas cada vez mais e afeta o consumo e os relacionamentos. Quase todos os veículos de comunicação tratam desse assunto, tornando impossível qualquer alienação.

Para as empresas, como também para os políticos,  fica evidente que não é uma opção, a decisão já foi tomada! O empresário ou político – falando em eleições – que ignorar esse público de mais de 60 milhões de brasileiros conectados corre o risco de deixar de existir em breve.

Lembro que essa massa on-line é maior do que a população de muitos países, como França e Espanha, e significa o dobro da população do Canadá.

Essa “massa” está constantemente navegando, se informando, se comunicando, comparando preços e comprando.  E falando em compras,  apenas em 2009 a previsão de faturamento do e-commerce é de R$ 10,8 bilhões.

Hoje o relacionamento empresa-cliente passa obrigatoriamente pela web, seja para a  busca de informações de produtos e serviços, seja simplesmente para manifestar sua opinião sobre uma empresa.

Hoje, os  internautas frequentam várias comunidades, como Twitter, Orkut, Youtube e Facebook, onde têm o domínio da situação, produzindo e disseminando vídeos e e-mails com consequências, pois um simples post em sua página poderá influenciar automaticamente milhares de pessoas.

Há exemplos de filmes alterados para produzir uma sátira, ou uma crítica a uma empresa e que acabam sendo mais vistos do que o filme original, como ocorreu recentemente com um fabricante de motocicletas.

Isso tem a capacidade de destruir a reputação de uma pessoa ou de uma marca. Entretanto, muitas empresas ainda não atentaram  para o poder que vem dos internautas, pois eles sabem muito bem como utilizar as diversas ferramentas digitais.

O que se percebe é que há empresários que ainda não tratam do assunto como prioridade e vêem a internet ou como um meio de diversão ou como veículo que impacta somente uma parte da população. Porém, ressalto que o brasileiro é o primeiro povo em navegação domiciliar.

Embora ainda haja restrições financeiras para boa parte da população, quase metade dos internautas navega em Cybers cafés ou Lan houses. O Brasil tem, por exemplo, a maior média de tempo de navegação, pois passamos mais de 26 horas por mês navegando.  E se for considerado o tempo gasto em sites de mensagens instantâneas, esse indicador sobe para mais de 36 horas on-line por mês.

O recomendável é que as empresas, ou os políticos, se abram à comunicação na web, unindo as ferramentas digitais às tradicionais para ampliar o contato com seus públicos. Essa integração pode ser feita, por exemplo, mantendo-se um call center, para aqueles que optam por um contato pessoal e direto, bem como uma alternativa para quem prefere a web, via chats on-line, blogs e mesmo via comunidades virtuais.

Há casos de empresas que têm feito um excelente trabalho nesse sentido, monitorando redes sociais e se relacionando de forma clara com seus consumidores, gerando um grande benefício para sua marca.

No campo político, temos um caso recente, que se tornou muito popular, que foi a campanha para eleição do presidente dos EUA, na qual Barack Obama se apoiou quase que totalmente nas plataformas digitais,  usando as mídias sociais para difundir suas propostas,  bem como se aproximou de diferentes comunidades, falando diretamente com cada uma delas para discutir  suas necessidades específicas.

Isso demonstra como é viável, e muito necessária, a transposição do relacionamento para o universo digital, seja qual for  o objetivo pretendido.

Sandra Turchi é Superintendente de Marketing da ACSP – Associação Comercial de São Paulo – e coordenadora do curso de Inovação Digital da ESPM.