Preços mais baixo do que em 1994
Todos os produtos ficam mais caros a cada dia; apenas o salário não aumenta. Essa afirmação, que já virou bordão na boca dos consumidores, por incrível que pareça está equivocada – pelo menos parcialmente. Isso porque uma série de mercadorias ficaram cada vez mais baratas ao longo do tempo, se considerarmos a alta dos preços ao comportamento da inflação no período.
Esse é o caso dos televisores, que atualmente custam, em média, 52,29% menos do que em 1994, no início do Plano Real. Nesse período, principalmente eletrodomésticos e vestuários registraram reduções consideráveis de preços – refletindo os efeitos da abertura de mercado e do ganho de produtividade verificado nas das empresas de diversos segmentos da economia.
No caso dos itens de vestuário, o famigerado “efeito China” – ou seja, a competição oferecida pelos produtos originários daquele país –foi o principal responsável por derrubar os preços. Essa é a avaliação do professor Antonio Evaldo Comune, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Os produtos têxteis chineses entram no Brasil com preços extremamente competitivos, o que é possível pelo baixo custo trabalhista daquele país. Essa concorrência leva as empresas nacionais a baixarem seus preços para não perder mercado. O resultado desse fenômeno é a presença, no mercado, de calças jeans 35% mais baratas hoje do que em 1994, por exemplo.
Mas é importante lembrar que o impacto colateral dessse “efeito China” é a desestruturação da indústria têxtil nacional. Ela passou a ser obrigada a fazer concorrência de preços e, ao mesmo tempo, suportar uma pesada carga tributária.







