País vai funcionar depois da folia?
Passado o carnaval, é hora de tirar o bloco da rua, arregaçar as mangas e colocar o Brasil para funcionar. Pelo menos essa é forma de completar o dito popular de que o Brasil só funciona depois da folia. Concordando ou não com essa afirmação, o fato é que a atividade econômica desacelera no período pós-natal e pré-carnaval. E seu efeito só passa mesmo depois dos quatro dias de festa. A exceção fica por conta do turismo, que tem neste período o melhor de todo o ano.
Construção civil, comércio e indústria são os setores mais afetados pelo período sazonal do final e início de ano. “Na construção civil existe uma sazonalidade que se reflete no emprego”, diz Eduardo Zaidan, diretor de economia do Sindicato da Construção de São Paulo (Sinduscon-SP). A partir de novembro, o setor deixa de contratar novos funcionários e também não renova os temporários.
“As construtoras não lançam empreendimentos nesse período por conta do excesso de chuva. Entretanto, percebemos que, neste ano, as demissões foram além das motivadas pela sazonalidade”, diz Zaidan. Segundo ele, um terço das demissões de novembro e dezembro no Estado de São Paulo ocorreram por motivos alheios à desaceleração do período. No comércio varejista, a situação não é diferente. Depois do Natal, quando ocorre o pico de vendas, elas caem bruscamente em janeiro e fevereiro, só retomando depois do carnaval. Em dezembro de 2007, por exemplo, foram feitos 2,2 milhões de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). Em janeiro de 2008 as consultas caíram para 1,8 milhão; e em fevereiro, para pouco mais de 1,6 milhão, retomando em março, com 1,84 milhão (veja gráfico).
“Esse números mostram que em janeiro e fevereiro há uma desaceleração nas vendas na capital paulista, ao contrário do que ocorre nas cidades do litoral e mesmo em capitais como Rio de Janeiro e Salvador”, diz Emilio Alfieri, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da ACSP. Ele lembra que o recesso escolar faz com que a maioria das pessoas tire férias nessa época para ficar com a família. Assim, as grandes cidades esvaziam, afetando o comércio. Em contrapartida, crescem as vendas nas cidades turísticas.
Ano atípico – Para o gerente do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), André Rebelo, diferentemente do que costuma ocorrer no início do ano, a “paradeira” de 2009 não vai passar com o fim da folia. “Não adiantará rasgar a fantasia depois do carnaval esperando que tudo vai voltar ao normal. Neste ano, a paradeira não é por conta da sazonalidade, mas da crise”, afirma.
Ele explica que, em 2008, a desaceleração da atividade era apenas aparente, pois a indústria continuou contratando. Neste ano, entretanto, foram fechadas 32,5 mil vagas no Estado de São Paulo só em janeiro. “Isso mostra que os empresários não vislumbram grandes mudanças de rumo. Caso contrário, não iriam arcar com as despesas de uma demissão”, diz Rebelo. O economista reconhece que os setores ligados à exportação são os mais afetados, mas não acredita que o mercado interno será suficiente para retomar o ritmo de produção anterior a setembro de 2008. “Infelizmente a paradeira não vai passar com o carnaval”, prevê.







