Notícias

O risco do improviso e o destaque da inovação

Guarulhos, 04 de julho de 2006

Diário do ComércioNa construção e na reforma do estabelecimento, a improvisação resulta em prejuízo. Sempre. “Não se deve contratar quem não tem experiência nesse tipo de empreitada”, recomenda o engenheiro José Antônio Favaro, da Saeng Engenharia. “O ritmo de quem constrói casas é diferente daquele exigido pelo comércio, em que é essencial trabalhar com rapidez e precisão”. Os materiais usados no comércio também são distintos e devem ser manipulados por especialistas. As estruturas, explica Favaro, são metálicas e não de concreto, por exigirem menos tempo de fixação: “A cura do concreto leva tempo e tempo é precioso”.

Silvio José Lopes, da empreiteira José Lopes, criada há 30 anos, exagera: “Em uma obra comercial, muitas vezes realizada à noite, é que se separam os homens dos garotos, tamanha a dificuldade na execução do serviço”. O trabalho noturno é exigência dos shoppings e de algumas ruas comerciais para que a rotina das compras durante o dia não seja afetada. Como comparação, explica Lopes, o tempo médio de uma construção residencial de 300 metros quadrados é de oito meses, em média: “Uma loja de 150 metros quadrados não pode levar mais de 60 dias para ficar pronta para funcionar”.

O preço, a depender do acabamento, varia de construtor para construtor. José Antônio afirma que, em relação a uma obra residencial, a comercial sempre é mais cara: “É que uma loja exige alguns equipamentos dispensáveis em uma residência, como a instalação de aparelhos de ar-condicionado, dispositivos antiincêndio e móveis mais requintados feitos sob medida”. O engenheiro destaca outro fator que contribui para a elevação dos preços: as grandes novidades do setor de materiais de construção chegam primeiro ao comércio. Só depois ficam disponíveis para as residências: “E deve ser assim porque as lojas precisam se destacar pela inovação. E o que é novo é sempre mais caro”.

O orçamento da José Lopes, que contempla apenas construção civil, costuma ser mais em conta para o comércio. “Tomando-se como referência um padrão de nível médio, pode-se estabelecer o preço de R$ 650 por metro quadrado em um imóvel residencial e de R$ 400 em um estabelecimento comercial”, detalha Silvio. Ele recomenda que, ao contratar um empreiteiro, o lojista examine detalhadamente o contrato de prestação de serviço, tome informações sobre a empresa com a checagem de todos os requisitos junto à Prefeitura e exija garantia no contrato. “Normalmente a garantia é de cinco anos, período em que a empreiteira se compromete a reparar qualquer problema na construção”.

José Antônio diz que, em uma construção que segue todos os rigores necessários, dificilmente surgirão problemas: “E caso surja algum, é importante ter em mente que existe a própria garantia dos fornecedores de materiais, do piso à fiação elétrica: eles costumam trocar ou reparar o que porventura apresente defeito sem custo algum para o lojista”. Há 18 anos no ramo de construção para o comércio, a Saeng trabalha com grandes redes e pequenos lojistas. E seu sócio-proprietário nota que o padrão nesse tipo de construção elevou-se muito nos últimos anos. “Aos poucos os varejistas estão percebendo que para atrair clientes é preciso ter um estabelecimento com ótima apresentação. E isso vale tanto para uma grife de alto luxo quanto para o comércio popular”. (LG)