Imagine um empresário que já vive pressionado com prazos, clientes e fornecedores. No meio de tantas demandas, surge a NR-1, e a reação comum é adiar, empurrar para depois, fingir que ainda não é prioridade. Mas a realidade é clara: quem deixar para a última hora vai pagar mais caro, perder tempo e correr riscos sérios de multa.
O que está em jogo com a NR-1
A Norma Regulamentadora 1 (NR-1) obriga todas as empresas a realizarem a avaliação de riscos ocupacionais, incluindo os psicossociais. Não é apenas sobre máquinas e EPIs, mas também sobre fatores que afetam a saúde mental dos colaboradores, como estresse, sobrecarga, burnout entre outros.
Em 2024, o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais, um aumento de 68% em relação ao ano anterior. Esse cenário custa bilhões de reais todos os anos, não apenas para as empresas, que arcam com absenteísmo, presenteísmo e ações trabalhistas, mas também para o governo, que assume despesas via INSS, SUS e perda de produtividade nacional.
A implementação da NR-1 já deveria ter sido iniciada. Em maio de 2026, as empresas precisarão comprovar que possuem diagnóstico de riscos psicossociais e programas preventivos em andamento. Ou seja: quem esperar a fiscalização para agir não terá tempo hábil e ficará em situação de risco jurídico e financeiro.
Os riscos de adiar a implementação
Empresas que deixam para depois enfrentam consequências que poderiam ser evitadas:
- Multas de até R$ 181.284,63 em fiscalizações.
- Indenizações trabalhistas que podem variar entre R$ 10.000 e R$ 500.000.
- Aumento de custos, já que a demanda por profissionais explode perto do prazo.
- Serviços mais caros, pois o implementador terá que fazer em semanas o que deveria ser feito em meses, elevando o valor da prestação.
- Escassez de especialistas disponíveis, comprometendo a qualidade da implementação.
- Clima organizacional abalado, quando os colaboradores percebem que a empresa ignora riscos do ambiente de trabalho.
Os “EPI’s da saúde mental”
Assim como ninguém entra em uma fábrica sem capacete ou óculos de proteção, nenhum colaborador deveria enfrentar o estresse ocupacional sem barreiras de proteção psicológica. Essas barreiras funcionam como os “EPI’s da saúde mental”, e a NR-1 exige que a empresa garanta esse cuidado.
Eles incluem:
- Protocolos institucionais de prevenção a riscos psicossociais e assédio moral.
- Programas de apoio ao colaborador, como escuta psicológica e atendimento especializado.
- Capacitação de lideranças em gestão humanizada e comunicação não violenta.
- Práticas de bem-estar e equilíbrio, como pausas ativas, incentivo ao sono de qualidade e atividades físicas.
Implementar esses “EPI’s invisíveis” não é luxo: é uma obrigação legal e uma estratégia para proteger pessoas e resultados.
Sinais de alerta na sua empresa
Se você identifica alguns desses pontos, é hora de agir:
- Não existe mapeamento de riscos nem protocolos de prevenção.
- Não há programas contínuos de saúde mental estruturados.
- Colaboradores relatam estresse, exaustão ou insônia.
- A empresa só reage aos problemas quando eles já aconteceram.
- Não sabe como reintegrar colaboradores que retornam de afastamento.
Antecipar é mais inteligente (e mais barato)
Cumprir a NR-1 agora não é só evitar multas, é uma estratégia de gestão.
As empresas que se antecipam conseguem:
- Diluir custos com planejamento financeiro.
- Escolher profissionais capacitados com tranquilidade.
- Reduzir afastamentos e aumentar a produtividade.
- Fortalecer sua imagem de responsabilidade e compliance no mercado.
- Atrair e reter talentos pela reputação em bem-estar corporativo.
Não deixe para amanhã o que pode proteger sua empresa hoje
A NR-1 não é burocracia: é lei.
Deixar para depois só aumenta os custos e os riscos. Antecipar-se é proteger o negócio, cuidar das pessoas e garantir sustentabilidade.
Se a sua empresa ainda não começou a implementação, o momento de agir é agora.
Associado da ACE-Guarulhos tem direito a uma consultoria gratuita com o Núcleo Fortemente de Saúde Mental, para entender como iniciar a adequação da NR-1 de forma segura e estratégica. Entre em contato com a Coordenadora Fabiana Frade no whatsapp (11) 97290 0058.
Sobre a autora
Fabiana Frade – Psicóloga (CRP 06/81683), Palestrante e Comunicadora de Saúde Mental, com 20 anos de prática clínica e estudos científicos. Implementadora de NR-1, Escritora, Terapeuta de Casais e Coordenadora do Núcleo de Saúde Mental da ACE-Guarulhos. Redes sociais: @psicologafabianafrade
Referências
NR-1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos
Portal Gov.br – Ministério do Trabalho e Emprego
Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/nr-01-atualizada-2024.pdf
Página das Normas Regulamentadoras Vigentes (todas as NRs)
Portal Gov.br – Ministério do Trabalho e Emprego
Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes
Anuário Estatístico da Previdência Social – edição 2024
Ministério da Previdência Social
Disponível em: https://www.gov.br/previdencia/pt-br/assuntos/rpps/destaques/anuario-estatistico-da-previdencia-social-2013-2023-2024
Agência Brasil. Afastamentos por transtornos mentais dobram em dez anos e chegam a 440 mil.
Publicado em 18/03/2025.
Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-03/afastamentos-por-transtornos-mentais-dobram-em-dez-anos-chegam-440-mil
