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Mulheres dominam a atividade comercial

Guarulhos, 06 de março de 2007

Os machistas podem dizer que as mulheres adoram shoppings e que só entram em uma loja para gastar dinheiro. Mas eles estão enganados. Há tempos, as mulheres passaram para o outro lado do balcão como vendedoras, supervisoras e gerentes de vendas. E há pouco mais de dois anos se tornaram a maioria entre os trabalhadores do comércio.

O Sindicato dos Comerciários de São Paulo revela que, dos cerca de 530 mil trabalhadores do setor (com e sem carteira de trabalho assinada), 52,8% são mulheres. Entre aqueles que têm entre 16 e 24 anos, as mulheres representam 53,3% do total e, entre os que têm mais de 25 anos, 52,7%. “As mulheres estão dominando esse ofício, que por séculos foi ambiente exclusivo dos homens”, diz o presidente do sindicato, Ricardo Patah.

A razão para essa a maioria é simples: as mulheres são mais atenciosas e dedicadas. E essa não é a constatação de uma repórter do sexo feminino. Quem afirma é o próprio Patah. “Por comprarem melhor, adorarem fazer isso, elas têm mais senso político, sabem que escolher é demorado. Então, abrem todas as roupas para o cliente e mostram todos os detalhes do produto”, diz o sindicalista.

Essas mesmas vendedoras, tão atenciosas, são unânimes em dizer que preferem vender para os homens. “Eles são muito diretos, dizem logo o que querem e não demoram nem cinco minutos por decidir pela compra”, afirma a vendedora da loja SurfTrip, do shopping West Plaza, Geise Lopes da Silva, de 19 anos. Ela, que trabalha com vendas há quatro anos, diz que a experiência não mudou seu perfil como consumidora. “Quando vou comprar, demoro mesmo.”

Geise tem o exato perfil da maioria das vendedoras de São Paulo. É jovem, solteira e está estudando ou terminou o ensino médio. “É muito comum que o comércio seja o primeiro emprego dos jovens e das pessoas que ainda estudam”, comenta Patah. Assim como a colega da loja de surfe, Débora Cristine Mestre, 20 anos, terminou no ano passado o ensino médio, mas, como tem um pouco mais de experiência no ramo, tornou-se caixa do estabelecimento há nove meses. “O trabalho é mais tranqüilo, é possível cumprir horário. Vendedor sempre se estende. Mas a responsabilidade no caixa é muito maior”, relata Débora. O salário, não sabe se compensa. Como vendedora, a média de retirada na loja é de R$ 700 a R$ 800. No caixa, Débora ganha R$ 600.

Embora o trabalho no comércio seja exercido por muitos jovens, mulheres acima de 30 anos mantêm-se no ramo por opção. É o caso da vendedora de uma das franquias Lupo, Maria Aparecida Costa Silva, de 31 anos. Casada e com três filhos, trabalha no comércio há dez anos. “Já fui auxiliar de corte e costura, mas gosto de lidar com as pessoas”, diz.

Maria Aparecida também terminou o ensino médio, mas com algumas idas e vindas da escola. “Parei a primeira vez de estudar aos 10 anos. Meu pai achava bobagem mulher ir para a escola.” Agora, ela pretende continuar exercendo bem sua função para, quem sabe, tornar-se gerente.