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Montadoras anunciam reajustes

Guarulhos, 05 de setembro de 2002

A queda nos preços dos carros zero provocada pela redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) vai durar menos do que se esperava. Segundo o Instituto de Concessionárias do Brasil (ICBR), consultoria que reúne mais de 200 associações do setor em todo o país, o aumento de preços anunciado pelas montadoras nesta semana vai derrubar o preço promocional dos carros populares e reduzir pela metade os descontos nos carros médios, os mais beneficiados pela redução do IPI.

As montadoras alegam que o reajuste tem como objetivo repassar a variação do dólar nos últimos meses. Nas concessionárias da Fiat e da GM os revendedores estão mantendo os preços atuais e prometem segurar o valor dos carros por mais 15 dias, tempo previsto para duração dos estoques.

O diretor do ICBR afirma que o momento é péssimo para um reajuste de preços no setor automobilístico, e que os novos índices vão prejudicar o desempenho das revendas nos próximos meses.

Houve um retorno positivo com a redução do IPI, e o consumidor voltou às concessionárias. O aumento anunciado por algumas montadoras agora se contrapõe ao reaquecimento das vendas, critica Costa.

Ele considera que não há espaço, hoje, para um repasse de aumentoainda que de 1% no preço dos carros novos. Segundo Costa, as revendas não terão como aumentar os preços pelos próximos 40 dias.

Apesar da campanha feita por montadoras e revendas de veículos durante todo o mês, as vendas de automóveis e comerciais leves cresceram apenas 3,39% em agosto. Foram vendidas no mês passado 121.258 unidades, contra 117.279 em julho.

Para o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Hugo Maia, a recuperação se deve a retomada natural do mercado, tradicionalmente mais aquecido no segundo semestre, e não à redução do IPI. Ele lembra que a venda dos populares 70% do mercado não foi beneficiada pela redução do IPI. O desconto, disse, beneficiou a a queda de preço dos carros médios.

O imposto para os modelos populares caiu de 10% para 9%. Para os veículos médios o índice baixou de 25% para 16%. As vendas de carros populares caíram 6,35% no mês de agosto e a de carros médios subiram 37,6% no período.

Luís Alfredo Dolci