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Mais um corte de 0,5 ponto na Selic

Guarulhos, 19 de outubro de 2006

Em rápida reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central confirmou as expectativas do mercado financeiro e reduziu ontem a taxa básica de juros da economia (a Selic) em 0,5 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Esse foi o décimo primeiro corte consecutivo na taxa de juros, que chegou novamente ao menor nível da história. Desde setembro de 2005, quando começou a atual série de cortes, os juros já recuaram seis pontos percentuais.

A decisão do Copom foi unânime, e não foi estabelecido nenhum viés. Desse modo, os juros permanecerão no patamar atual até o próximo encontro do Comitê, que será o último deste ano, marcado para os dias 28 e 29 de novembro.

Apesar de os juros estarem no menor nível da história brasileira, em termos reais, isto é, descontada a inflação, eles ainda são os mais elevados do planeta. Atualmente, os juros reais no Brasil estão em 9,3% ao ano. O segundo colocado no ranking mundial é a Turquia, com 6,2% ao ano, seguida pela China, com 4,8% ao ano.

Efeito pequeno – “Foi o esperado, mas poderia ser mais”, disse o economista Marcel Solimeo, diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) sobre o corte da Selic. “O efeito para o consumidor será muito pequeno.” Para ele, a redução representa o mínimo possível, tendo em vista a inflação baixa e o fraco nível de atividade da economia.

O economista observou que o importante agora é que a ata do Copom, a ser divulgada na próxima semana, sinalize claramente a continuidade desse processo de redução dos juros básicos, que ainda estão em patamares muito elevados.

“Por enquanto, o impacto direto dessa redução será muito pequeno porque a Selic representa apenas um dos componentes da taxa de juros cobrada do consumidor final. E quem trabalha com prazos mais longos de crédito precisa ter um horizonte do que vai acontecer no futuro”, afirmou Marcel Solimeo.

O economista-chefe do Unibanco Asset Management, Alexandre Mathias, também comentou que o corte “não foi uma surpresa porque o mercado apontava para essa baixa, a despeito das advertências das últimas atas e do Relatório de Inflação sobre a necessidade de maior parcimônia”.

Ânimo – Ao contrário do mercado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, comentou animado a decisão do BC. “O Copom está prosseguindo na trajetória de redução da taxa básica de juros, em posição coerente com o regime de metas de inflação. Como a inflação tem comportamento benigno, mantendo-se nos patamares esperados, então o Copom reagiu à altura e reduziu a taxa”, comemorou Mantega.

O ministro, porém, admitiu que os juros ainda estão altos. A Selic é, para ele, o elemento destoante no conjunto de bons resultados que o Brasil tem a apresentar. “Mas (a taxa) caminha para um patamar adequado. É uma questão de tempo”, reforçou Mantega.

Reduções – Em consonância com o BC, bancos comerciais também anunciaram redução de taxas, em pequenas margens. Os juros do cheque especial do Bradesco caíram de 8,05% para 8,01% ao mês, para os que pagam as taxas mais altas, e de 4,48% para 4,45% ao mês, nas cobranças mais baixas. O crédito pessoal foi de 5,59% para 5,57% ao mês na máxima e de 2,7% para 2,66% na mínima. No Banco do Brasil, os juros do cheque especial passaram de 7,77% para 7,73% ao mês, na cobrança máxima, e de 2,17% para 2,13%, na mínima. No crédito direto, a taxa foi de 4,4% para 4,36%. (Agências)