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Mais transparência no custo do crédito

Guarulhos, 04 de março de 2008

Sozinhos, os juros cobrados por bancos, financeiras e lojas nas operações de crédito não são os responsáveis pelo encarecimento do empréstimo. Pois bem, taxas, tributos, tarifas de abertura de crédito e eventuais seguros, além de quaisquer outras despesas adicionados ao valor principal. terão de ser obrigatoriamente informados pelos bancos a partir de agora, nos novos contratos. A determinação, anunciada em dezembro passado, é do Conselho Monetário Nacional (CMN) e entra em vigor nesta segunda-feira. É o chamado Custo Efetivo Total (CET), que inclui todos os custos que estão sendo embutidos no financiamento. Seja no empréstimo em um banco ou na compra de um bem parcelado em lojas. O principal objetivo da medida é tornar os empréstimos mais claros para o consumidor.

Hoje, os bancos costumam mostrar aos clientes e tomadores de crédito apenas os juros e os prazos dos financiamentos. Outros custos são conhecidos apenas no momento em que o negócio é fechado, fazendo com que o cliente perca a oportunidade de comparar taxas entre duas instituições financeiras, uma vez que variam de banco para banco. Por isso, o CMN determinou ainda que o CET esteja claro até mesmo nas divulgações feitas por meio de informes publicitários. A medida vale também para as operações de leasing.

Por meio de uma nota divulgada na última sexta-feira, o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimentos (Acrefi), Érico Ferreira, diz que a medida ajudará o consumidor a escolher o menor custo entre os vários bancos na medida em que a decisão do BC separa o custo financeiro dos demais cobrados nesse tipo de operação. Com isso, diz Ferreira, o consumidor ganha mais uma ferramenta para comparar preços estimulando a competição entre as instituições financeiras e até mesmo no varejo. Poderá, segundo Ferreira, abrir espaço para que os custos do crédito caiam.

A falta de transparência nas operações de crédito figuram no ranking de queixas do Procon-SP com o maior número de registros. Muitas vezes um empréstimo é divulgado com destaque para os juros baixos, mas sem a informação das taxas que são somadas ao valor principal do crédito o consumidor fica sem saber se de fato está tendo vantagem em ter optado por aquele juro menor.

A idéia da medida, segundo o próprio governo, é dar ao consumidor a chance de pagar menos nos empréstimos e financiamentos. A medida faz parte do trabalho do Banco Central (BC) para regularizar as tarifas bancárias e tornar as operações de crédito mais transparentes.