Juro volta a subir para consumidores e empresas
A taxa de juro ao consumidor voltou a subir em janeiro. De acordo com pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a taxa média cobrada nos créditos concedidos a pessoa física aumentou 0,15 ponto percentual, passando de 8,34% para 8,49% ao mês. Em dezembro, o juro havia caído 0,60 ponto percentual, na comparação com o mês anterior, a primeira queda na taxa desde maio de 2002, quando o juro mensal era de 7,84%. Em um ano, a taxa acumula alta de 165,87%.
– Primeiro, havia expectativa de uma nova alta da Selic. Além disso, como muita gente vai ao mercado em janeiro pedir financiamento para cobrir dívidas, os bancos acabam aproveitando a procura por crédito para elevar as taxas – afirmou Miguel Oliveira, responsável pela pesquisa.
Neste ano, existe um outro agravante. As instituições estão muito pessimistas com a expectativa de guerra e acabam elevando os juros além do necessário, de acordo com Oliveira. Ele disse que não espera queda nas taxas nos próximos meses, já que a perspectiva de um confronto entre os Estados Unidos e Iraque não se dissipou.
– A possibilidade de uma guerra é forte e acho muito difícil o Comitê de Política Monetária (Copom), que já elevou a taxa básica em meio ponto percentual na última reunião, para 25,5% ao ano, manter os juros no próximo encontro, na semana que vem. Assim, as instituições financeiras deverão fazer a mesma coisa e repassar a taxa aos seus clientes – afirmou.
Os bancos subiram 0,38 ponto percentual a taxa média para o empréstimo pessoal, que passou de 5,39% para 5,77% ao mês (96,04% ao ano). Já as financeiras elevaram a taxa para o empréstimo pessoal de 12,79% para 12,93%, uma diferença de 0,14 ponto percentual. Para o comércio os juros subiram 0,02 ponto percentual (para 6,66% ao mês), enquanto para o cartão de crédito a elevação foi de 0,06 ponto percentual (para 10,60% ao mês) e para o cheque especial de 0,05% (para 10,18% ao mês). Ainda de acordo com a pesquisa, os juros do Crédito Direto ao Consumidor (CDC) aumentaram 0,23 ponto percentual em janeiro, passando de 4,57% para 4,80%.
O juro para empresas também está mais alto. As instituições financeiras aumentaram 0,09 ponto percentual as taxas de juros para pessoas jurídicas. A taxa mensal passou de 4,72% em dezembro para 4,81% em janeiro. No ano, o juro chega a 75,72%. Em dezembro, o juro havia passado de 4,70% para 4,72%.
Oliveira explicou que o medo da inadimplência faz os bancos se tornarem cada vez mais seletivos na concessão de crédito. Com isso, eles perdem clientes e são obrigados a elevar as taxas para não reduzir o volume de negócio. Para o coordenador da pesquisa, o consumidor deve ficar atento ao tomar empréstimos bancários, pois os juros estão muito altos.
Até os prazos de financiamento foram reduzidos. Para veículos, o prazo máximo de financiamento, que era de 50 meses em janeiro do ano passado, passou para 48 meses em janeiro de 2003. Também houve redução no mesmo período para o financiamento de outros produtos. Neste caso, o prazo máximo passou de 36 meses para 24 meses e o prazo médio de 12 meses para 8 meses.
Wagner Gomes







