IPI: governo não tem como segurar os preços
O governo não vai segurar o aumento de preço dos veículos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sergio Amaral, afirmou ontem que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis nunca teve por objetivo fazer um tabelamento de preços. “O objetivo foi criar as condições que aumentassem as vendas do setor automobilístico e sobretudo das empresas que tinham estoque elevado. Assim, as montadoras poderiam desovar os seus estoques e manter os empregos”, disse.
Ele explicou ainda que a criação de um alíquota intermediária visou retirar a concentração da indústria automobilística na fabricação de carros de valor menor. “Precisamos adquirir escala nos carros de potência intermediária, para estimular as exportações. Esse objetivo também está sendo atendido.”
Amaral afirmou que a redução do IPI é uma questão de política industrial, e que as montadoras repassaram o ganho da redução do imposto para o consumidor. “Não adotamos essa medida para evitar ajustamento de preço.”
Algumas montadoras anunciaram esta semana aumento de preços do automóveis, alegando a necessidade de repassar a variação do dólar nos últimos meses. Os porcentuais variam de 1,2% a 3%, praticamente anulando a queda do IPI.
O problema é que as montadoras estão aumentando em um período de baixa nas vendas. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) refez as metas para 2002 ontem. Ao invés de crescimento de 5%, a entidade projeta agora repetir o volume de 1,8 milhão de unidades produzidas no ano passado. As vendas devem cair 6%, totalizando 1,5 milhão de veículos. Antes, a projeção era de crescimento de 3%.
A produção de veículos neste ano caiu 10,9% em relação a 2001. As vendas de carros acumulam queda de 15,2%. As exportações devem cair 2%, alcançando US$ 4 bilhões. Porém, em agosto os números melhoraram. As vendas no atacado cresceram 14,8% ante julho e, no varejo subiram 8,3%, com 134,7 mil veículos vendidos.







