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Financiamento imobiliário bate novo recorde

Guarulhos, 24 de setembro de 2007

O financiamento para compra da casa própria com dinheiro da poupança é recorde pelo segundo mês consecutivo. Em agosto, os bancos emprestaram R$ 1,8 bilhão, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip)

É a maior marca mensal desde 1984 e reflete o excepcional momento do mercado imobiliário, com crédito farto, prazos de financiamento que chegam a 30 anos, prestações fixas e forte concorrência entre os agentes financiadores que inclui não apenas bancos, mas também companhias hipotecárias.

“Em agosto, os financiamentos com recursos da poupança superaram o total empregado na habitação no ano todo de 2002”, observou o diretor geral da entidade, Oswaldo Corrêa Fonseca. Naquele ano, o total foi de R$ 1,7 bilhão.

De janeiro a agosto, os empréstimos já somam R$ 10,3 bilhões, superam em 73,6% o registrado no mesmo período de 2006 e já ultrapassam o total concedido no ano inteiro de 2006, que foi R$ 9,3 bilhões. “Se esse ritmo se confirmar, a nossa previsão é de que o ano feche com R$ 16 bilhões da poupança voltados para o financiamento imobiliário, um recorde histórico”, prevê o diretor da Abecip. Também o total de unidades financiadas neste ano deve ultrapassar as marcas anteriores e somar 180 mil unidades. Até agosto, foram 117.237 mil e no ano passado inteiro 113.873.

“O crédito é o grande motor do segmento imobiliário”, afirmou Ricardo Setton, diretor de Relações com Investidores da Agra Incorporadora. Ele observou que há dez anos a taxa básica de juros, a Selic, que baliza o mercado, estava em 38% ao ano, caiu para 25% em 2002 e, hoje, está em 11,25%. O prazo máximo, que estava em 36 meses em 1997, cresceu para cem meses em 2002 e, atualmente, é de 360 meses ou 30 anos.

 Com isso, observou Fonseca, ficou mais fácil comprar um imóvel. Hoje, uma pessoa que ganha seis salários mínimos por mês (R$ 2.280) tem o acesso a uma linha de crédito para compra de um imóvel só era possível em 2004 a quem recebesse 14 salários mínimos ou R$ 5.320 mensais. “O valor da prestação caiu e, atualmente, equivale a um aluguel. Em 2004, a mensalidade do financiamento correspondia a quatro vezes um aluguel”, comparou.

O bom momento do setor já tem reflexos na velocidade de vendas dos imóveis novos. No primeiro semestre deste ano o total de imóveis na cidade de São Paulo em relação ao ofertado foi de 17% segundo pesquisa do Secovi-SP, o sindicato da habitação. “Esse índice é recorde”, afirmou o vice-presidente de Comercialização e Marketing da entidade, Élbio Fernandes Mera. No primeiro semestre de do ano passado esse indicador foi 13% e a média sempre girou em torno de 11%, observou.

Apesar do aquecimento do mercado com a demanda maior do que a oferta, Fernandes Mera observou que os preços dos imóveis não subiram. Ele argumentou que, com a abertura de capital das empresas, que já são 22, o setor está capitalizado e as companhias têm compromissos de apresentar resultados para os investidores, com metas de vendas estipuladas.