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Encontro sobre sacolas plásticas mostra divergências

Guarulhos, 23 de junho de 2009

Em menos de um mês entra em vigor em Guarulhos a Lei 6.841/2009, projeto de autoria do vereador Alencar Santana (PT) – atual secretário municipal de Governo – que dispõe sobre a obrigatoriedade do uso de embalagens biodegradáveis nos estabelecimentos comerciais. A nova legislação, que vem gerando dúvidas dos empreendedores antes mesmo de sua implementação, foi debatida nesta terça-feira, 23, em evento realizado pela Associação Comercial e Empresarial de Guarulhos (ACE). O encontro que serviu para esclarecer os principais pontos de divergências da obrigatoriedade evidenciou que especialistas do setor de plásticos e governo ainda não chegaram a um acordo.


Especialistas e Prefeitura possuem opiniões diferentes

Quem mostrou que não aprova a implementação do projeto guarulhense foi o presidente do Instituto Sócioambinetal dos Plásticos – Plastivida, Francisco de Assis Esmeraldo, principalmente em relação a embalagens biodegradáveis que para ele não se degradam e ainda podem causar prejuízos ao meio ambiente. “A Plastivida é a favor da diminuição das sacolas plásticas, mas somos totalmente contra as sacolas oxiobiodegradável, pois não existe nenhum estudo que comprove que ela se degrade, tudo isto é um engodo”, disse.

Ao ser questionado pelo vice-presidente de indústria da ACE-Guarulhos, Carlos Dias, sobre a capacidade da indústria em produzir as embalagens degradáveis, o coordenador de negócios da BASF – multinacional alemã especializada na produção de plástico biodegradável – Eliandro Felipe, garantiu que a empresa, atualmente, não tem capacidade de produzir o produto em escala para os estabelecimentos comerciais de Guarulhos.


Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida, é contra a sacola oxiobiodegradável


A presidente da Rede de União de Supermercados (Reunis), Márcia Cazelli Peres, salientou que as sacolas degradáveis são mais caras e por isso o consumidor poderá ser afetado, além de denunciar a falsificação de embalagens ditas degradáveis. “Já recebi em meu escritório diversas sacolas que possuíam o selo de biodegradável e oxiobiodegradável e nenhuma delas eram, desta forma continuaremos a cometer um crime ambiental”, falou.

Prefeitura – Apesar do autor do projeto, Alencar Santana, não ter comparecido ao debate, a administração municipal enviou a Associação Comercial três importantes representantes: o secretário de Desenvolvimento Econômico, Antônio Carlos de Almeida; o secretário adjunto de Desenvolvimento Urbano, Adilson Valente; e o diretor de Relações de Meio Ambiente, Marco Antônio Carlos.

Segundo Antônio Carlos de Almeida, não interessa a administração gerar aumento de custos para ninguém, mas sim fomentar o desenvolvimento econômico e sustentável da cidade. Ele avisou que a data de implementação da Lei pode ser revista. “Apesar do prazo para a Lei entrar em vigor seja o dia 8 de julho, o prazo para regulamentação poderá ser alterado, se for preciso”, disse.

Já Adilson Valente ressaltou que o município precisará se adequar a nova legislação. “A Prefeitura vai ter que se adequar, principalmente em relação à fiscalização, que deverá ser previamente treinada”, falou.

Marco Antônio Carlos, que colaborou com Alencar Santana na elaboração do projeto, disse que a proposta guarulhense é diferente ao projeto apresentado por Sebastião Almeida quando ainda era deputado estadual. “No entendimento da prefeitura se a embalagem oxiobiodegradável não gerar danos ao meio ambiente, poderá ser utilizada normalmente pelo comércio”, disse.