As empresas brasileiras se preocupam mais com ações sociais do que se poderia imaginar. Segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), finalizada este ano, 59% dos empresários do país declaram realizar algum tipo de ação social voltada à comunidade. O porcentual corresponde a 462 mil organizações que, juntas, aplicaram R$ 4,7 bilhões em atividades ligadas à responsabilidade social em 2000.
O número chama a atenção mas, para o advogado especializado em responsabilidade social, Gustavo Henrique Justino de Oliveira, os resultados deverão ser melhores quando se tiver a visão de que aplicar em ações desse tipo não se trata de assistencialismo, mas sim, de investimento social privado. “A empresa precisa, primeiro, pensar e planejar a ação, depois executar bem e, por fim, medir os resultados”, diz Oliveira.
A pesquisa do Ipea revela que a Região Sul é a que tem o menor porcentual de empresas aplicando no bem da comunidade – apenas 46%. No Sudeste são 67%, no Nordeste, 55%, e nas Regiões Norte e Centro-Oeste, 50%.
O retorno do investimento, diz o advogado, é o ganho em valores éticos, em transparência e na confiança da comunidade com relação à empresa e seus produtos, além do aumento de valor agregado da marca. “A tendência é utilizar a ação social como um ativo da empresa, casar o tipo de ação desenvolvida com a atividade produtiva realizada”, completa o advogado.