Empresas brasileiras invadem o leste europeu
Vista do Rio Danúbio, o principal ponto turístico da Hungria. Ao fundo, o Parlamento húngaro, em Budapeste.
O movimento para incrementar as relações comerciais do Brasil com a região central e leste da Europa anda a todo vapor. Uma série de iniciativas empresariais nos mais diversos setores confirma isso. No seu segundo ano de atuação no mercado húngaro, as sandálias Havaianas (que se tornaram artigos disputados em todo o mundo), por exemplo, deverão registrar um crescimento de 100% nas vendas.
Embora a quantidade ainda permaneça pequena (deve passar dos 2,5 mil pares de 2004 para 5 mil este ano), a estimativa do distribuidor dos produtos no país, Gyuricza Gábor, é que ela continue dobrando de tamanho pelo menos nos próximos três anos, para depois seguir crescendo, mas em patamares bem menores.
Gábor, que também é o responsável pela marca de moda praia Rosa Chá na Hungria, anuncia que a grife deve chegar ao país já em 2006, com loja própria e espaço dividido com as famosas Havainas. O projeto está em fase de pesquisa e o empresário espera encontrar um parceiro até a inauguração da loja.
Outra iniciativa bem sucedida é a do empresário Fiszter Tamas, presidente da Versus KFT. Há dois anos, ele resolveu promover tudo o que é do Brasil para o mercado húngaro. Hoje, importa uma série de produtos acabados de construção e é representante das marcas Tramontina e Portobello no país.
Há ainda grande interesse de empreendedores brasileiros em setores como o de bebidas, brinquedos, cerâmica, construção civil, logística, plásticos, jóias e máquinas. Sem esquecer, é claro, de uma das empresas de maior orgulho dos brasileiros, a Embraer, que também está de olho no mercado do coração da Europa.
Missão – Esses segmentos estiveram presentes, e fizeram reuniões com contrapartes, durante a missão comercial ao leste europeu organizada pela São Paulo Chamber of Commerce, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em parceria com o governo do estado. Na última semana, a comitiva percorreu Praga, Budapeste e Bucareste, respectivamente as capitais da República Tcheca, Hungria e Romênia. E, a despeito de uma balança comercial ainda muito pequena, os europeus demonstraram enorme interesse em estreitar o relacionamento com o Brasil.
As empresas tiveram rodadas de negócios nos três países e contaram com o apoio das embaixadas brasileiras e do vice-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, que acompanhou a missão.
Cooperação – Durante a etapa romena da viagem, também foi renovado o memorando de entendimentos entre a Câmara de Comércio e Indústria da Romênia com a SP Chamber of Commerce. Nesse último encontro, a construtora brasileira Norberto Odebrechet, a qual obtém mais de 80% de seu faturamento em obras no exterior, mostrou interesse em trabalhar no mercado do leste da Europa.
Empresários que atuam com café, carne e alimentos em geral, calçados, brinquedos, logística e uma editora também obtiveram bons resultados.
Estela Cangerana
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