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Em Macau se negocia em português

Guarulhos, 21 de maio de 2008

Depois de 500 anos nas mãos dos portugueses e de muita tentativa de acordo, o arquipélago de Macau foi transferido aos chineses com a condição de que as leis oficiais portuguesas continuassem vigentes até o ano de 2050, e de que a região não transferisse seus recursos em forma de tributos para o governo chinês nesse período.

A China, então, criou uma Região Administrativa Especial, com fundamentos políticos e econômicos bem distantes das suas práticas comunistas. E também com moeda própria, a pataca. Além disso, o Acordo de Estreitamento das Relações Econômicas e Comerciais entre o Continente Chinês e Macau (Cepa), assinado em 2004, isentou de direitos aduaneiros as mercadorias da região que en-trassem no continente asiático. Ou seja, pequenas e médias empresas que pretendam desbravar o mercado da região industrial do sul da China por meio de Macau podem se beneficiar do estatuto de zona aduaneira independente e de porto franco, política de imposto baixo e simplificado e custos operacionais competitivos.

O resultado de toda essa história é uma região muito mais desenvolvida e aberta economicamente se comparada à China continental, e mais autônoma quando o assunto são investimentos estrangeiros e com cultura ocidentalizada.

Os contratos de negócios podem ser redigidos nas duas línguas oficiais de Macau – o mandarim e o português. E isso faz com que o empresário brasileiro se sinta mais à vontade na hora de firmar um acordo. “Estreitamos relações com todos os países de língua portuguesa para cooperação econômica, comercial e desenvolvimento em conjunto”, disse a administradora do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (Ipim), Echo Chan.

A entidade conecta e assessora investidores estrangeiros e locais, abriga centro de serviços para pequenas e médias empresas, organiza missões comerciais e também a Feira Internacional de Macau, que se realiza em outubro e é um dos eventos de negócios mais importantes da Ásia. “E um investidor estrangeiro que pretenda abrir uma empresa na região precisa de apenas 30 dias e capital social equivalente a R$ 6 mil para constituir seu negócio”, disse Echo.

Em fase de crescimento econômico acelerado, o Produto Interno Bruto (PIB) de Macau aumentou 27,3% em 2007. Além da indústria dos cassinos, que recebeu 27 milhões de turistas e movimentou US$ 10,4 bilhões no ano passado (45% a mais que em 2006), a indústria têxtil e de vestuário tem aumentado sua importância no cenário econômico do território chinês.

Mesmo que as exportações de Macau continuem concentradas nos mercados dos Estados Unidos e Europa, em 2007 o comércio com o Brasil somou US$ 13,6 milhões, dos quais 90% em importação de carne e café brasileiros. “Os números podem ser maiores, porque muito produto que chega por aqui ainda vem por meio de Hong Kong”, disse o diretor do Centro de Apoio Empresarial do Ipim, Agostinho Vong. “Mas os empresários macaenses começam a depender cada vez menos de Hong Kong e a procurar diretamente os empreendedores dos países de origem dos produtos que lhes interessam.”