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Dirceu fora do governo

Guarulhos, 13 de junho de 2005

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está acertando os detalhes para que o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, deixe o governo. Hoje à noite os dois tiveram uma conversa franca na Granja do Torto, na presença apenas do presidente do PT, José Genoino. Dirceu está disposto a se afastar, mas não quer sair sozinho: prefere deixar o posto em meio a uma reforma ministerial ampla, com a troca de vários integrantes do primeiro escalão.

A avaliação é de que a permanência de Dirceu tornou-se insustentável depois que o presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), reforçou com novos detalhes a denúncia de pagamento de mesada a deputados em troca de apoio ao governo no Congresso. O chefe da Casa Civil se convenceu de que não pode permanecer no cargo, mas está preocupado em não ficar com a imagem de que tem culpa e ficou acuado. Por isso prefere que Lula faça uma reforma ministerial, na esperança de diluir o impacto de sua saída.

Uma mudança ampla no primeiro escalão, avaliam petistas e aliados, serviria para dar novo oxigênio político ao governo Lula, que enfrenta sua pior crise. O senador Tião Viana (PT-AC) promete fazer um discurso propondo que os ministros do PT entreguem seus cargos, deixando o presidente à vontade para promover a reforma.

“O presidente precisa estar livre para escolher nomes que estejam acima dos partidos e sem qualquer suspeita”, argumenta Tião Viana. “Justamente os ministros do PT, partido que está sob suspeita de desvio de conduta, precisam dar exemplo pedindo demissão.”

O nome mais cotado para o lugar de Dirceu é o do irmão do senador: o governador do Acre, Jorge Viana.

Sob todos os holofotes – O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) deve ser a grande estrela desta semana.

Ele presta amanhã dois depoimentos: às 11 horas, ele será ouvido pela Comissão de Sindicância da Corregedoria da Câmara e, às 14 horas, pelo Conselho de Ética da Casa. (Agências)