Crise é momento para ajustar negócios
Os proprietários de micro e pequenas empresas devem aproveitar o momento de nervosismo no mercado financeiro para fazer um ajuste de contas em seu negócio, preparando-se para navegar com mais segurança durante a turbulência.
Segundo analistas econômicos ouvidos pela Agência Sebrae de Notícias, a instabilidade iniciada nas últimas semanas ainda não tem prazo para acabar e o melhor a fazer é adotar uma política defensiva, o que está longe da passividade, pois é preciso uma série de iniciativas.
A primeira tarefa é ter um melhor controle contábil, cortando gastos desnecessários e equilibrando o caixa, de forma a evitar o endividamento.
O segundo passo é tentar ganhar competitividade, o que envolve a busca de aperfeiçoamento dos produtos e serviços.
Nos dois casos, as unidades estaduais do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) estão preparadas para auxiliar o empreendedor, por meio de seus cursos de capacitação.
Um terceiro conselho é não perder de vista que todos os setores da economia estão procurando se proteger, o que abre espaços para negociações. É o momento de tentar reduzir os custos de empréstimos já tomados, revisar contratos desfavoráveis e diminuir despesas com operações bancárias.
Empréstimos
Ao lado da agitação atual do mercado, há indicadores, no longo prazo, de confiança na economia brasileira.
Um deles é mostrado pelo aumento de 50% nos pedidos de financiamentos ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), entre janeiro e maio, em comparação a igual período do ano anterior. Nesses primeiros cinco meses do ano, os pedidos chegaram a R$ 17,9 bilhões, contra R$ 12,7 bilhões, em 2001. “O lado real da economia é muito diferente do lado do mercado financeiro”, diz Isaac Zagury, diretor financeiro do BNDES.
Em sua opinião, o empresário que busca financiamentos da instituição “não se deixa contaminar com os burburinhos de curto prazo”, pois faz projetos cuja maturação é longa, o que exige acreditar no futuro do país. Nos cinco primeiros meses, os desembolsos do banco para micro e pequenas empresas totalizaram R$ 1,9 bilhão, representando um crescimento de 30% em relação a igual período do ano passado.
Cautela
O economista Luiz Mário Behnken, diretor do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro, recomenda cautela, principalmente para quem tem algum investimento financeiro. “Não é hora para especulação. Quem tem dinheiro sobrando deve buscar uma opção conservadora. Investir em imóveis é sempre uma saída segura, desde que não se queira liquidez imediata e se faça uma avaliação competente, antes da compra”, afirma Behnken.
Outros analistas acreditam que investir em fundos de papéis pré fixados é uma boa opção de rentabilidade, pois haveria uma tendência de queda dos juros. Essa queda seria a saída obrigatória do governo para estimular o setor produtivo da economia e para desacelerar o crescimento da dívida pública.
Quem pensa dessa forma não recomenda a compra de dólares. As atuais cotações são consideradas artificiais e haveria uma tendência de acomodação até o final do ano, com a volta para patamares próximos aos anteriores à crise do momento. Em todo caso, há uma compreensão generalizada de que o país assiste hoje uma disputa entre o Banco Central, grandes investidores e grupos financeiros.
Essa é uma briga na qual o micro e o pequeno empresário, como a maioria dos cidadãos, não têm poder para intervir. Porém a experiência mostra que, mesmo na crise, os mais preparados encontram espaço para crescer.







