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Consórcio, um setor que vai bem. É só fazer o seu lance.

Guarulhos, 30 de janeiro de 2009

Nem todo mundo pode reclamar da crise que, a partir de outubro do ano passado, restringiu o crédito no Brasil. Por enquanto, um dos beneficiados com a situação é o sistema de compra por consórcio, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac). Para este ano, a entidade calcula que o crescimento nas vendas de novas cotas possa ficar entre 6% e 8%. De acordo com Vitor Bonvino, vice-presidente da Abac, o comportamento positivo do setor dependerá exclusivamente do emprego do brasileiro.

“A inflação, que nos afeta diretamente, ao que parece, não deve acelerar. Quanto ao desemprego, esperamos a normalização já em abril, depois de uma onda que deve afetar principalmente a indústria de veículos. Mesmo assim, a produção deve ser retomada, pelo menos parcialmente, já que o segmento não vai parar de vez”, disse o vice-presidente.

A projeção de crescimento deste ano está baseada no comportamento do mercado no final do ano passado. De acordo com levantamentos da Abac, em novembro de 2008, o total de participantes da modalidade de compra aumentou 4,6%, passando de 3,45 milhões no penúltimo mês de 2007 para 3,6 milhões em novembro do ano passado. No acumulado de janeiro a novembro, o setor teve uma alta de 4,4% na venda de cotas, que chegaram a 1,62 milhão. No mesmo período, as contemplações cresceram 2,3%, para 739,5 mil.

Para aquecer mais os negócios em 2009, outra aposta da Abac é a de que o consumidor volte-se para o que Bonvino chama de consumo responsável. “Comprar em consórcio fica mais barato, mas exige planejamento. O consumidor não recebe o bem em um prazo reduzido ou imediato.”

Outros setores que utilizam o sistema de consórcio, como o de imóveis e eletroeletrônicos, também registraram alta em 2008. Segundo a Abac, o setor de imóveis ultrapassou a marca de 500 mil participantes. A preferência pelo modelo leva em consideração a falta de juros e com parcelamento integral do valor da casa própria.

Nos eletroeletrônicos, as vendas saltaram de oito mil para 11,6 mil no fim do ano.

O que muda em fevereiro – A nova Lei dos Consórcios que entra em vigor no dia 6 de fevereiro deverá beneficiar a modalidade de aquisição de bens por este modelo. Entre as mudanças, a criação do consórcio de serviços, a possibilidade de quitação de financiamentos e a normatização de devolução para desistentes. Também permitirá o uso da carta de crédito para a quitação de financiamento. Na desistência, o consumidor terá direito à restituição, desde que tenha realizado o pagamento das primeiras cinco parcelas. A nova lei também permitirá oferecer cirurgias plásticas, implantes dentários e cursos de especialização no exterior.