Comércio e fábricas já têm estoques ajustados à crise
A indústria e o comércio reduziram os estoques para baixo depois da retração de vendas dos últimos meses. Alguns segmentos já trabalham em um esquema de ajuste quase perfeito, portanto, precisaram mexer pouco no volume produzido ou comercializado.
“A indústria de eletroeletrônicos está em alguns casos ajustando a produção e, em outros, concedendo férias coletivas até que as vendas em queda se normalizem”, diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab. Segundo ele, os estoques do setor não são grandes.
Os motivos são dois: há cinco anos o setor não tem crescido e o custo de carregar estoques é bastante alto. Isso porque, muitas vezes, a empresa ou o distribuidor precisa obter um empréstimo para pagar pelas mercadorias e só consegue pagá-lo quando vende os produtos. Enquanto não vende, tem de arcar com os custos da operação, pagando juros sobre isso.
Têxtil – O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Paulo Skaf, também confirma que os estoques da indústria têxtil estão dentro da normalidade. “Hoje todo mundo toma cuidado com esse item”, diz.
Alimentos – O setor de alimentos é outro que está com seus estoques totalmente ajustados. Na indústria alimentícia, os produtos na prateleira giram em média em uma semana, diz Dênis Ribeiro, coordenador do Departamento de Economia da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
Segundo Ribeiro, algumas mercadorias têm reposição quase que diárias, enquanto outros, como os produtos secos, têm os pedidos renovados a cada quinze dias. Mas nem sempre foi assim. Antes do Plano Real, quando a inflação era alta, os pedidos da indústria ao varejo se concentravam no final do mês, no dia 28, para abastecer o estabelecimento para as compras de final de mês. “Hoje a produção é mais regular, a compra do supermercado se distribui ao longo do mês e o consumidor vai repetidas vezes ao supermercado “, justifica. Isso também contribui para a redução dos estoques. No supermercados a situação de ajustes se repete.
Segundo o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), esse processo vem de algum tempo. “O estoque já foi maior, hoje, especula-se no mercado, são renovados entre 15 e 20 dias, dependendo do porte da empresa”, afirma. Assaf ressalta que as empresas menores, que não podem fazer grandes pedidos, são forçadas a girar o estoque em prazos maiores.
“Esses estabelecimentos fazem seus pedidos de 20 em 20 dias, ou de mês em mês. São levados a isso, pois a indústria determina um limite mínimo de compras”, acrescenta. Para ele, estoque alto é sinal de ineficiência.
Teresinha Matos







