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Brasil perde espaço no exterior

Guarulhos, 07 de maio de 2008

O saldo do Brasil com importantes parceiros comerciais está se deteriorando. Levantamento feito pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) mostra que apenas com a China o déficit subiu 491,2% de janeiro a abril e com países africanos, 128,7%. Com países em que o saldo brasileiro era superavitário, o resultado vem encolhendo velozmente, como no caso dos Estados Unidos, parceiro com o qual o superávit recuou 81,7% neste ano.

“O quadro geral mostra que o País piorou seus resultados com todas as regiões do mundo, à exceção do Mercosul. Os superávits por regiões estão caindo ou os déficits estão aumentando”, disse o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro. A entidade já admite rever a previsão inicial de saldo neste ano dos US$ 30 bilhões estimados em dezembro para, no máximo, US$ 22 bilhões. A revisão formal deve ficar para meados do ano.

De forma geral, na visão da AEB, o câmbio fraco justifica a maior parte da queda dos saldos comerciais. No caso da China, o déficit brasileiro até abril do ano passado era de US$ 365 milhões, valor que saltou para US$ 2,2 bilhões negativos. “Apesar da alta das cotações das commodities, as importações vindas da China avançam mais fortemente”, diz Castro. “O câmbio é o motor da expansão das importações”, afirma.

Em abril, o País teve, pela segunda vez neste ano, déficit comercial com os Estados Unidos, no valor de US$ 70 milhões. Isso não ocorria nos últimos anos, afirma o executivo. A avaliação é que os produtores brasileiros estão perdendo espaço no mercado norte-americano para outros fornecedores. Por conta da valorização, acabam tendo de elevar preços em dólar, o que reduz a competitividade dos produtos feitos no Brasil no maior mercado do mundo.

Também estão sendo registradas quedas para destinos em que o superávit tem sido elevado. É o caso da União Européia, grande compradora de commodities agrícolas brasileiras.

De janeiro a abril do ano passado, o saldo com a comunidade européia era de US$ 4,3 bilhões, valor que recuou 32,3% e foi a US$ 2,9 bilhões. Para a América Latina a queda do superávit foi de 12,1%. A redução teria sido maior se não fosse o aumento do saldo com a Argentina, de 19,4% no período, para US$ 1,1 bilhão.