Bazares ganham impulso com grifes e descontos
Os bazares podem ser considerados hoje um novo canal de varejo, diferenciado por oferecer qualidade e preços sempre mais baixos que os das lojas tradicionais, com descontos que podem chegar a 70%.
Sua função é escoar produtos encalhados ou de coleções passadas, que não poderiam mais serem vendidos pelas grandes marcas em suas lojas. No ano passado, foram organizados oito bazares de grande porte – acima de 40 marcas participantes – na cidade de São Paulo, segundo o idealizador do Q!Bazar e pioneiro nesse ramo, Tito Passos, que promoveu 15 desses eventos em três anos.
Esse tipo de comércio pode incluir ou não as lojas de ponta-de-estoque, que funcionam em sistema de liquidação permanente dos estoques das grifes.
É o caso do Bazar Jardins, por exemplo, um espaço fixo para 20 mil peças, em que diversas marcas se revezam. Já o Q!Bazar é um megaevento itinerante, que reúne várias marcas e muda de local a cada edição.
Este ano já foram realizadas duas, e Tito Passos espera chegar a seis edições. “Sem contar um outro formato que devemos trabalhar, o Speed Bazar, que deve atingir cidades do interior em edições de apenas oito dias”, conta Passos.
Ele afirma que está “estudando” a cidade de Ribeirão Preto para a realização da primeira edição desse novo formato.
O empresário conta que até quatro anos atrás essa operação (megabazar) não existia. “As marcas tinham um preconceito muito grande em relação a esse tipo de operação”, comenta.
Em 1997, Passos conheceu um evento em Nova York em que conseguiu “comprar muito gastando muito pouco”. Ele apresentou a idéia para seus contatos no ramo da moda, as lojas gostaram e ele, então, começou a moldar a ação. O primeiro bazar foi promovido por Passos com a Gregory. “Foram vendidas 18 mil peças de coleções passadas em um mês. Com o sucesso dessa operação, fiz mais 12, cada uma de uma marca”, relata.
O primeiro evento, com mais de 30 marcas, foi lançado em outubro de 1998. A partir daí, começaram a surgir outras pequenas operações do mesmo tipo. “Esse passou a ser um canal de distribuição muito importante para as lojas, para escoarem seus estoques”, diz Passos.
Isso porque elas não precisam fazer liquidações prolongadas, que podem acabar deteriorando o ponto-de-venda.
Esse conceito, que começou com a moda, já está atingindo novos segmentos, como acessórios, empresas de telefonia celular, brinquedos, informática e decoração.
“Essa operação não é só importante para a marca, mas também para a sociedade como um todo”, destaca Passos. Ele ressalta que os megabazares têm geralmente parte da renda revertida para instituições assistenciais.
“Historicamente as vendas em bazares vêm crescendo significativamente, conseguindo sempre superar as edições anteriores”, afirma Passos.
O Bazar Jardins é um bazar multimarcas que atende um público de classe alta e funciona o ano inteiro na avenida Tajurás, 30, nos Jardins. Nele, cada marca fica um mês. “Podemos trabalhar com uma só marca ou com várias ao mesmo tempo, dependendo do número de peças disponível”, explica a subgerente, Ana Paula Shizue.
Segundo ela, o bazar adquire as peças em consignação, e cada marca faz o seu desconto nos produtos, que pode chegar a 70%. As operações do Q!Bazar duram no máximo 35 dias, reunindo de 25 a 70 marcas, dependendo do espaço, de acordo com o diretor de operações e marketing, Marcelo Terpins. O executivo explica que nessas ações o Q!Bazar entra com a loja montada (acarpetada, iluminada) e cuida de trazer o fluxo de pessoas para o evento.
Mila Marques







