Vendas de pequenas despencam
Com medo da turbulência, o consumidor reduziu suas compras em outubro. Resultado: o faturamento das micros e pequenas empresas (MPEs) paulistas registrou retração de 9,8% ante igual mês de 2007. Em relação a setembro, o recuo foi de 1,4%, e no acumulado do ano, de 3,1%. O pior desempenho foi do comércio: em relação a outubro de 97, a queda foi de 15,1%, na comparação com setembro, de 5,2%, e no acumulado do ano, de 2,1%. penas o setor de serviços escapou do desastre.
Os dados foram divulgados ontem pelo Comitê de Monitoramento da Crise do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A receita total das 1,3 milhão de MPEs paulistas foi de R$ 22,6 bilhões, cifra R$ 2,5 bilhões inferior ao total de igual período de 2007 (veja quadro). Segundo o coordenador da pesquisa do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê, apesar do desempenho negativo, 57% dos empreendedores acreditam em expansão do faturamento nos próximos meses e, para 36% dos entrevistados, os ganhos obtidos em outubro serão mantidos. Para Bedê, essa expectativa baseia-se no aumento da oferta de empregos, o que ajudará a amortecer os efeitos da crise. “Nos primeiros dez meses do ano, dez milhões de pessoas foram contratadas com carteira assinada”, disse.
Em relação ao comércio, o coordenador da pesquisa acredita que os lojistas que comercializam produtos populares deverão ser beneficiados porque os trabalhadores de baixa renda continuarão a ter aumentos salariais. Para o coordenador do Sebrae, o segmento das micros e pequenas empresas poderão ser beneficiadas a partir do segundo semestre de 2009. Além de acreditar em uma recuperação da economia, ele lembra a aprovação pelo Senado, na quarta-feira, do projeto criando a figura do microempreendedor individual (MEI), que vai tirar da informalidade cerca de 10 milhões de pessoa. Agora, o projeto voltará a ser apreciado pela Câmara.
Cautela – Anselmo Cinatti foi um dos microempresários que sentiu os efeitos da turbulência em outubro. Proprietário de uma loja de vestuário infantil e adulto no bairro da Pompéia, viu os ganhos de outubro ficarem iguais aos de igual período de 2007. Em novembro, amargou queda de mais 5% nas vendas. “O consumidor está cauteloso. Acredito que sentirei menos a crise porque as pessoas precisam continuar se vestindo”, disse.
Para tentar reverter a situação, o empresário decidiu, neste final de ano, divulgar a loja em jornais e revistas da região. Há algum tempo, ele fez o curso Empretec, do Sebrae e, agora, para se informar mais sobre a crise, lê jornais e revistas especializadas em economia.







