Vem aí o cartão de débito múltiplo, que acumulará diversas funções
O cartão, conhecido hoje como de débito, vai passar por mais uma transformação. Nascido apenas com a identidade de garantidor de cheques, nos anos 80, o plástico transformou-se, de lá para cá, em operador de transações bancárias e, depois, em cartão de compras. Agora, a intenção das administradoras e bancos emissores é provocar sua evolução, para assumir novas funções, inclusive com a adoção do chip. Mas pode um produto nascer para um determinado fim, assumir outro e transformar-se novamente e, mesmo assim, fazer sucesso? Talvez a lógica do Marketing desaconselharia tal coisa. Mas não é isso o que pensa a indústria de cartões. E nem consideram como risco a possível perda de identidade do plástico, o que poderia tornar-se um problema para qualquer outro produto.
Mudar a história – A indústria de cartões quer mudar a história de baixa utilização e faturamento do segmento, comparativamente aos plásticos de crédito – que movimentaram mais de R$ 5,5 bilhões só em maio. Somente agora, com o amadurecimento do mercado, os plásticos de débito devem ser responsáveis por transações da ordem de R$ 1 bilhão por mês.
Novidade – Mas os bancos e administradoras querem mais e isto tem motivado toda esta indústria a investir mais também: vem aí o plástico de débito com chip, que transformará este velho cartão, novamente, para um meio de pagamento eletrônico mais sofisticado, de múltiplas funções. Inclusive com uma característica especial que vai aproximá-lo do seu irmão maior, o plástico de crédito: a possibilidade de “agendar” um pagamento posterior, à moda do “bom para….”. Com isso, a perspectiva é de que o cartão de débito ultrapasse, definitivamente, a cultura de uso voltada mais para transações bancárias.
Cultura – É certo ainda que este plástico não garantiu o seu devido espaço dentro da indústria de cartões. Até porque mudanças culturais demoram e as de hábitos acompanham o movimento. Mesmo assim, o Visa Eletron – líder, com participação de 60,2% deste mercado -, no período de janeiro a maio, aponta um crescimento no volume de vendas de 60,55%, passando de R$ 2,06 bilhões em 2001 para R$ 3,31 bilhões em 2002, de acordo com a Visanet, que faz a captura eletrônica das operações. Isto representa uma média mensal de R$ 662 milhões.
Projeção – A empresa prevê um crescimento de 53% nas vendas, o que pode representar um faturamento entre R$ 9 e R$ 10 bilhões até dezembro. Somente em maio o Visa Electron registrou crescimento de 59,01% com relação ao mesmo mês do ano anterior. O volume de vendas em maio de 2002 foi de R$ 706 milhões, contra R$ 444 milhões em maio de 2001. “Esses índices de crescimento superam em muito os do comércio em geral. Mostram que o consumidor brasileiro está preferindo cada vez mais os meios de pagamento eletrônicos e, entre eles, sua tendência é aumentar o uso dos produtos da Visa”, declarou o vice-presidente de Marketing da Visa do Brasil, Gastão Mattos. “O crescimento acelerado do cartão de débito Visa Electron, especialmente, é um sinal de que o consumidor e o comerciante têm cada vez maior consciência de suas vantagens.” Walter Rabello, diretor da Visanet, acredita muito no novo múltiplo, que irá abrigar várias funções graças à adoção do chip.
Testes – O plástico vem sendo testado pelo Banco Santander dentro da Pontifícia Universidade Católica do Rio. O cartão de débito Visa Eletron “predatado” já vem sendo testado também em Brasília, Osasco (Continental Shopping Center) e em lojas de rua da Capital. A Redecard, que captura as transações eletrônicas dos outros 39,8% do segemento, não divulga o valor total das operações, apenas as transações, que cresceram 20,92% de janeiro a maio deste ano, atingindo as 55,734 milhões de operações, ante 46,092 milhões no mesmo período de 2001. Outra utilização prevista é o “pague conta”, cujos testes tiveram início agora e previsão de conclusão em dois meses. Através dessa facilidade, o consumidor paga contas de serviços públicos com o novo cartão de débito em rede de lojas e no comércio em geral, como é o caso de Campinas.
Marcos Menichetti







