Valorização do real preocupa ACSP
A situação geral da economia brasileira nos dois primeiros meses deste ano não mudou muito na comparação com 2005. Contudo, alguns indicadores preocupam, tais como o aumento da inadimplência no setor agrícola, um incremento nos gastos públicos e o avanço das importações do País, provocado pelo real valorizado.
Além disso, surge um dilema ainda sem explicação para quem atua no setor produtivo brasileiro: dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção industrial caiu em janeiro, enquanto as vendas cresceram 6,5% no mês em relação a igual período no ano passado. Essas informações levam a duas versões: ou o comércio está desovando estoques ou os importados estão aparecendo nesse quadro.
Essas conclusões foram elaboradas ontem durante a reunião de avaliação de conjuntura da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O setores varejista, têxtil, agrícola e a indústria de alumínio enfatizaram a preocupação com a valorização do real. “Ela não apenas prejudica a formação de preços, como exige cuidados maiores na formação de estoques”, ponderou um representante do grande varejo.
Câmbio – Ele explicou que o câmbio está forçando as empresas a vender “muito mais” para apenas manter o faturamento. “Sobretudo porque a queda de preços lá fora está favorecendo ainda mais os importados”, salientou. E concluiu que janeiro passado foi “bom”, fevereiro “péssimo” e março promete, no máximo, ser “razoável” para o varejo.
O setor de alumínio, especialmente o de embalagens, está sofrendo com as importações, que registraram nos dois primeiros meses deste ano um aumento superior a 26%, em relação a igual período de 2005. A chegada de folhas de alumínio ao País, com destaque para as da Ásia, afeta a produção da linha branca (geladeiras, fogões, etc), panelas, veículos e ar-condicionado.
Entretanto, informou um dirigente desse setor, as expectativas para 2006 ainda indicam algum crescimento no setor de chapas de alumínio com o crescimento das exportações de ônibus, da construção civil e de cabos de transmissão – este puxado pelo programa federal “Luz para todos”. O setor têxtil aponta queda geral no faturamento, devido à concorrência dos produtos chineses, e na produção de embalagens.





