O verão chegou e, mais uma vez, o brasileiro se vê ilhado entre as águas das chuvas torrenciais e a enxurrada de impostos. Pelas previsões dos meteorologistas, nem os foliões serão poupados por São Pedro. Nas contas dos economistas, o Leão não vai poupar ninguém. Como exemplo dessa realidade, uma capa de chuva plástica, de R$ 20, comprada no Sambódromo, pode até proteger da água, mas não impedirá que a correnteza tributária arraste quase 34% do preço do item para os cofres públicos.
O mesmo ocorre com produtos muito procurados pelos consumidores nesta época do ano, como guarda-chuvas e botas. Segundo levantamento da Verbanet, empresa que presta serviços na área de legislação, itens desse segmento possuem carga tributária que varia de 31% a 44% do seu valor. “O problema não é tanto a carga tributária, mas o fato de os governos não investirem o que arrecadam no bem-estar do cidadão”, diz Ernesto Dias de Souza, coordenador da pesquisa.
Dinheiro de imposto mal investido resulta em queda de barreiras nas estradas, córregos transbordando, bocas-de-lobo entupidas alagando ruas. E o contribuinte que volte a nado para casa, porque, se tentar comprar um bote inflável, o susto vai ser maior. Do preço elevado do produto, que está em torno de R$ 3,5 mil, exatos R$ 1.526 vão para a boca do Leão, 43,60%. Na conta, R$ 210 vão para o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e R$ 875 para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
A Câmara dos Deputados está analisando o projeto de lei conhecido como “De Olho no Imposto”, que pretende criar a obrigatoriedade de as notas fiscais discriminarem o valor dos tributos incidentes nos preços de produtos e serviços.