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Um Natal recorde no varejo

Guarulhos, 27 de dezembro de 2007

O mês de dezembro nem terminou, mas tudo indica que o comércio baterá o recorde de vendas para o período, impulsionado pelo melhor Natal dos últimos dez anos. De acordo com o Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), houve um crescimento de 7,9% no movimento de compras entre os dias 1 e 25 de dezembro, na comparação com igual período do ano anterior.

É um desempenho bem acima dos 6,94% auferidos ao longo de todo o mês de dezembro de 2000. Apesar do feriado prolongado do Réveillon, que subtrai vendas do varejo, as liqüidações já anunciadas devem contribuir para que aquele recorde seja superado neste ano, analisa o economista do IEGV, Emílio Alfieri. “Dificilmente o crescimento será menor que 7%”, projeta.

Destaques –
O percentual de 7,9% reflete a média das consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), indicativas das compras a prazo, e ao UseCheque, sinalizador das vendas à vista, com crescimento de 7,7% e 8,1%, respectivamente.

De acordo com Alfieri, pesaram a favor das compras de maior valor, a elevação dos prazos (e maior volume) no crediário; a queda das taxas de juros; aumento da massa salarial e a queda do dólar que, além de beneficiar a oferta de produtos importados, pressiona para baixo o preço dos equivalentes nacionais. Alguns destaques de venda são as geladeiras, televisores, celulares e aparelhos de DVD.

Entre os presentes de menor valor, CDs e DVDs continuam sendo os itens mais procurados. Roupas, calçados, perfumes e bijuterias também se destacaram. Ele justifica que as compras à vista foram beneficiadas pelo aumento do salário mínimo e transferência de renda, feita por meio de programas como o Bolsa Família. “Foi um Natal de ponta-a-ponta. Vendeu-se de tudo, desde presentes de R$ 1,99 até carros”.

A demanda aquecida do Natal não tem impacto imediato sobre a inadimplência. Aufieri explica que só a partir de março será possível avaliar a situação. “É um risco do varejo. Por enquanto, ela está controlada; só observamos uma pequena pressão. E ela não decorre de fatores macroeconômicos, mas do grande volume de oferta de crédito”, pondera.

Sua expectativa é a de que o movimento do comércio mantenha a curva ascendente ao longo de 2008. Há, no entanto, fatores de risco que demandam acompanhamento. Entre eles, o desenrolar da crise do setor imobiliário nos Estados Unidos; e a inflação dos alimentos no mercado interno.

Confiante –
Beneficiada pelo bom momento da economia e pela forte oferta de crédito, a confiança do brasileiro disparou em dezembro. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 5,2% no último mês do ano, quatro vezes acima da taxa de novembro (1,3%), atingindo 120,3 pontos em uma escala de 0 a 200. Foi o mais elevado patamar da série histórica do índice, iniciada em setembro de 2005.