Tudo ao mesmo tempo
Um é pouco, dois é bom, três ou quatro é muito melhor. Empresários descobrem que ter vários negócios em um mesmo lugar ajuda a atrair mais clientes, multiplica os lucros e garante as vendas o ano inteiro. Loja de presentes, lanchonete, serviço de internet e aluguel de salas. Quatro negócios diferentes na mesma loja. A empresária Acácia Tavares abriu sua empresa há um ano e meio, já com essa idéia.
– No país que a gente vive é muito difícil sustentar um negócio só. Então, se você tem dois, três… No momento em que um está cambaleante, o outro segura e equilibra as despesas do mês, explica a empresária Acácia Tavares e Silva.
Como empresas isoladas, elas não sobreviveriam. Os gastos com aluguel e funcionários são maiores do que o faturamento de cada uma. Mas no conjunto, a empresária tem lucro. Da loja de presentes, vem 65% do faturamento; 30% vem do cibercafé e o restante do aluguel de salas para cursos e sessões de massagem. O valor é simbólico: apenas R$ 3 por hora. O objetivo é ter um chamariz para que mais pessoas freqüentem a loja. Acácia também faz promoções nos dias de pouco movimento. Aos sábados, diminui o preço para navegação na Internet: um real dá direito a uma hora. Com isso, as vendas na loja de presentes aumentaram 20%. Ela aprendeu que para misturar atividades, o período de vendas fracas de uma deve coincidir com o de maior movimento da outra.
– No começo do ano o movimento da loja diminui e aumenta o da Internet, porque os estudantes, que mais usam esse serviço, estão de férias, lembra Acácia.
Outro cuidado importante: não basta montar lojas diferentes no mesmo espaço. Elas têm que seguir a mesma linha e agradar o mesmo tipo de público.
– Não dá para você vender incenso e uma proposta de qualidade de vida e vender fritura, por exemplo. A partir do momento que passei a respeitar a vontade do consumidor, fui entendendo que ele queria uma comida mais saudável e passei a vender mais, diz Acácia.
Em uma academia de ginástica, o cardápio da lanchonete também mudou para satisfazer o gosto dos alunos. No começo, os donos da academia, Patrícia e Eduardo Pirozzi, alugavam o espaço para outros empresários. Mas recebiam muitas reclamações. Pouca gente gostava da comida. O mesmo acontecia com a lojinha de roupas, logo na entrada. Nem sempre os clientes encontravam o que queriam.
– Resolvi assumir esses negócios e através de uma posição, como consumidora, agregar valores, colocar mercadorias, produtos que pudessem satisfazer os clientes, conta a empresária. Hoje o casal tem três empresas no mesmo lugar: a academia, a loja e a lanchonete, que juntas faturam R$ 175 mil por mês. Musculação de um lado, piscina na frente, esteira atrás. Para qualquer lugar que se vá , é preciso passar pela lanchonete, que fica bem no meio da academia. Se a estratégia era chamar a atenção dos alunos para os alimentos e bebidas, deu certo até demais. Agora, a própria lanchonete está atraindo clientes para a academia.
– Hoje 10% dos freqüentadores não estão matriculados na academia. A idéia é ampliar a lanchonete e aumentar esse número. Além de estar utilizando os serviços da lanchonete, eu também tenho a possibilidade de trazer o cliente e transformá-lo em aluno da academia, esclarece Patrícia.
No balcão, são servidos produtos para quem faz exercício: alimentos com pouca gordura, muita proteína e carboidratos. Na loja de roupas, não poderia ser diferente: os artigos são específicos para a prática de esportes.
– A pessoa não se preocupa. De repente esqueceu a roupa em casa e está saindo do trabalho, passa aqui na loja e compra o que precisa para treinar, comenta a cliente Tatiana Savi.
Administrar os três negócios só trouxe vantagens para os empresários. O aluguel da lanchonete e da loja rendiam R$ 1,5 mil por mês. Hoje o lucro das duas é cinco vezes esse valor.
– O aluno se sentindo satisfeito dentro da academia, dentro das lojas ou das lanchonetes ele vai se fidelizar à empresa, conclui Patrícia Pirozzi.
Marcelo Baccarini







