Túneis podem elevar em até seis vezes custos de construção do trem-bala
A demora na divulgação de detalhes do projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV), o trem-bala, tem dificultado a análise de especialistas sobre as condições, tempo de construção e valores do projeto. Mas uma coisa é certa. Segundo o presidente da Aeamesp (Associação de Engenheiros e Arquitetos de Metrô de São Paulo), José Geraldo Baião, 58, a construção do traçado via túnel pode elevar os custos de quatro a seis vezes. O custo do túnel deve variar entre R$ 3,2 e R$ 5 bilhões, com gastos baseados em um trecho semelhante de metrô. O valor total é de R$ 22 bilhões, financiados pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Apesar disso, pelo menos 16 quilômetros do trem-bala que ligará Rio de Janeiro a Campinas, com passagem pelo Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, serão de túneis no trajeto de São Paulo, podendo chegar a 25 de acordo com o traçado escolhido. “O aeroporto está distante 25 quilômetros do Centro de São Paulo. Saindo de Guarulhos, imagino que será um traçado de um ou dois quilômetros em túnel até a entrada da Dutra e o acesso da Bandeirantes”, acredita. “O traçado do TAV está muito ligado à topografia e a maior dificuldade será na divisa de São Paulo e Rio, na Serra das Araras, onde terá uma sequência de túneis e viadutos. No aeroporto de Guarulhos, o trecho deve ser enterrado por causa de problemas de impacto e ruído”, projetou Baião.
Segundo o especialista, o grande problema do trem-bala é ambiental, já que o meio de transporte tem um ruído altíssimo e nas entradas e saídas de túneis, existe o agravante da diferença de pressão. “Isso pode trazer desconforto até para os próprios usuários”, afirmou.
Uma diferença marcante do trem-bala e de outros meios de transporte são as curvas. “Existe uma inclinação que a tecnologia permite, entre três e quatro por cento para vagões de passageiros no trem-bala. Os raios de curvatura giram entre cinco e sete quilômetros, no metrô chega a 300 metros, por trabalhar com uma velocidade menor”, explicou. No Japão e na França, o trem-bala é exclusivo para passageiros, já na Alemanha, também é utilizado para carga, o que diminuiria ainda mais a porcentagem de inclinação.
Prazo de construção – A construção do Trem de Alta Velocidade objetiva principalmente a Copa de 2014. O prazo, de aproximadamente quatro anos para construção, é questionado por Baião. “Eu sou meio cético, acredito ser prematuro ligar o TAV à Copa. O Japão implantou o trem-bala em cinco anos, considerado tempo recorde por especialistas. Em Taiwan foram sete anos, na Coréia 12. Entre querer o trem e ocorrer as construções, só o tempo dirá”, finalizou.