Os números surpreenderam os próprios empresários. O volume de vendas subiu, mas o faturamento caiu 4% em maio deste ano, em relação ao mesmo mês de 2005. Em comparação com abril deste ano, a perda é mais acentuada: 8,51%. No acumulado de 2005, de janeiro a maio, a retração foi de 2,83%.
“A Páscoa é a segunda data mais importante para o segmento. Havia uma expectativa de recuperação, mas vimos a continuidade do cenário negativo”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira.
Um dos principais fatores que provocaram o resultado negativo do setor, segundo ele, foi a queda nos preços dos produtos. Entre maio de 2005 e maio deste ano, os valores registrados nas etiquetas caíram 6,63%.
“O que percebemos é que houve aumento de 3,05% no volume de vendas. Ou seja, as pessoas estão comprando, mas como os valores caíram, os supermercados registram perdas”, explica Oliveira. “O setor convive com essa tendência há um ano e meio. O consumidor busca preços mais baixos, pois ainda está com dívidas.”
Oliveira criticou o aumento das tarifas públicas. Ele considera que grande parte da renda vai para o pagamento de combustíveis, conta de telefone e energia elétrica.
Além disso, diz que houve cinco finais de semana em abril e quatro em maio. “Mesmo assim não esperávamos uma queda tão marcante. Isso prejudica a recuperação do acumulado do ano.” Em junho, o presidente da Abras espera que o índice continue negativo, mas com tendência de alguma recuperação.
O setor mantém a expectativa de crescimento do faturamento para o ano de 2006: de até 3% em relação a 2005. “No ano passado, tivemos um aumento de 0,66% em comparação a 2004, enquanto a elevação do PIB (Produto Interno Bruto) foi de aproximadamente 3%. O resultado do setor está abaixo do que poderia ser”, analisa Oliveira.
Ele explica que o segundo semestre deverá ser melhor. “Entre julho e setembro há chance de os números apresentarem melhora. Mas é um crescimento não sustentado.” Para Oliveira, o setor já está preparado para enfrentar as perdas, já que as redes possuem lojas com bandeiras diferentes para atender a todos os variados tipos de clientes.
Copa do Mundo – Os supermercadistas não esperam aumento nas vendas provocado pela participação do Brasil na Copa. Uma pesquisa realizada pela Abras mostra que 51% deles acham que o comportamento do consumidor não apresentará mudanças; 38% apostam em novidades. Mesmo assim, 77% priorizaram as compras de bebidas alcoólicas, esperando uma procura maior do consumidor; 58% acham que haverá interesse acentuado por bebidas não alcoólicas; 70% compraram mais itens de mercearia e 62% não vão deixar faltar os confeitos, chocolates e biscoitos nas prateleiras.
Marcas próprias – As grandes redes de supermercados “acordaram” para o segmento de marcas próprias. O negócio é responsável por 6% das vendas anuais, o que totaliza R$ 7 bilhões – montante que pode chegar a R$ 8 bilhões, em razão do maior interesse pelo setor.
As marcas próprias representavam 4% das vendas do varejo há cinco anos. “Houve um aumento de 50% no segmento”, afirma Oliveira. Segundo ele, nos Estados Unidos o índice é de 15% e na Inglaterra, 40%. “A venda dos produtos de marca própria está crescendo porque eles asseguram uma boa qualidade, associada a preços inferiores.”
Um levantamento realizado pela LatinPanel, encomendado pela Abras, indica que 58% dos consumidores já tinham comprado algum produto de marca própria de supermercado no mês de junho de 2005. Em março de 2006, esse índice cresceu para 63,7%.
“Os clientes que preferem produtos de marcas próprias gastam 13% a mais do que aqueles que compram itens tradicionais”, afirma a gerente de atendimento ao varejo da LatinPanel, Fátima Merlin.