Os partidários do prefeito Sebastião Almeida (PT) ainda estão se recuperando do baque que sofreram na quinta-feira quando o projeto de regulamentação dos transportes públicos em Guarulhos, que incluía a criação do Bilhete Único, foi rejeitado por 17 dos 34 vereadores na Câmara Municipal. O secretário de Transportes e Trânsito, José Evaldo Gonçalo, idealizador do projeto, prometeu que reenviará nova proposta para ao Legislativo em agosto.
Para justificar a derrota, ele partiu para o ataque contra os empresários do transporte coletivo, reunidos na Guarupas, e os 17 parlamentares que votaram contrários ao projeto. “Temos que trabalhar a partir dessa decisão da Câmara. São outros interesses que estão sendo atingidos e que estão se sobrepondo neste momento. O que aconteceu cheira a lobby”, arriscou.
Sobre a atuação da Guarupas, Gonçalo questionou: “se o sistema deles é compatível com o Bilhete Único, por que trabalharam para derrubar a lei?”. No entanto, ele não falou como a entidade teria atuado nessa questão. Ele prometeu que o modelo atual de gestão, em que somente as empresas têm o comando do caixa, não existirá mais. “Existem formas diferentes de controle. Vamos trabalhar para modificar o modelo de gestão.”
O secretário descarta a possibilidade de enviar novo projeto a Câmara separando a implantação do Bilhete Único da regulamentação dos transportes. “Não existe bilhete único sem um novo sistema onde todas as linhas sejam atendidas. Qual a vantagem da população em criar o bilhete sem essa mudança?” Ele ainda não sabe quais artigos deverão ser alterados na nova proposta. “Vamos estudar o que deve ser feito.”
O artigo 15 do projeto substitutivo foi alvo de críticas por boa parte dos vereadores contrários a proposta por deixar a Secretaria de Transportes com o poder do caixa do sistema “de forma compartilhada, direta ou por delegação”. Gonçalo discorda da posição dos parlamentares. “Nós falamos com vários vereadores para colocar a gestão de forma compartilhada, mas eles não concordaram. Não sei o que aconteceu. Ninguém sabe. A votação mostrou que a base do governo é composta só por 16 vereadores.”