Pequenos e médios empresários de São Paulo estão preocupados com o atual cenário político e econômico – tanto mundial como nacional –, principalmente com o impacto das altas dos juros e o ressurgimento da inflação. Apesar dos receios, a tendência entre as empresas menores é de manter os investimentos programados para curto e médio prazos. “A maioria, 73% dos empresários pequenos e médios, aposta que o mercado estará favorável ou não sofrerá nenhuma alteração no segundo semestre”, disse o economista-chefe do Instituto Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo.
As expectativas empresariais foram apresentadas durante o primeiro Seminário Semestral ACSP “Desafios do crédito e da economia para o segundo semestre”. O levantamento foi feito com 350 empresas paulistanas pela inSearch Tendências e Estudos de Mercado, que passará a ouvir o setor a cada semestre.
O resultado da pesquisa retrata receios e expectativas, também debatidos entre os participantes do seminário. “Vamos ter uma desaceleração temporária da economia mundial e, conseqüentemente, da brasileira, por conta dos juros, mas acredito na reversão desse quadro a partir de 2010”, disse o economista e ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior da presidência da República em 1998, José Roberto Mendonça de Barros.
De acordo com ele, a crise mundial, com reflexos no Brasil, deve se dissipar já em 2010, com a acomodação das economias e a volta à normalidade na taxa de juros. “Creio que os juros no Brasil chegarão a 14,25% ou 14,5%. A tendência é voltar aos patamares de antes da crise a partir de 2009.”
Apesar da confiança na economia, Barros reconheceu que a desaceleração já começou. Para ele, em 2009, os preços das commodities vão ter grandes perdas no mercado mundial, prejudicando as contas externas brasileiras. Com isso, o dólar pode se fortalecer um pouco no País (o economista estima que possa chegar a R$ 1,85 em 2009). E a crise pode interferir na concessão de crédito, deste momento até o final do ano, e de maneira ainda mais forte no ano que vem. “Apesar do aumento nos juros e provável redução nos prazos, o Natal de 2008, no entanto, deverá ser muito bom para as empresas.” O sistema financeiro também está otimista com a economia nacional. Baseado na atual oferta de crédito e na crença de que a inadimplência está sob controle, o superintendente de economia da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Nicola Tingas, observou que “ainda estamos com a economia funcionando e aquecida”. Ele diz que os bancos estão confiantes com o cenário, apesar de trabalharem com a possibilidade de a crise mundial ser mais longa que o esperado, se estendendo por 2010. “Temos que manter o crescimento sustentável brasileiro. Para isso, precisamos investir fundamentalmente na educação, base sólida de uma economia forte em qualquer país”, disse.
A grande preocupação hoje, de acordo com Marcel Solimeo, é com o sinal de alerta da inadimplência. Apesar de parecer sob controle, a falta de pagamento de créditos pode aumentar, prejudicando todo o sistema produtivo. “Precisamos educar nossos consumidores para a utilização do crédito consciente,” disse.
“Precisamos ter consciência do que fomos, do que somos e do que queremos ser. As empresas têm a obrigação de investir na educação dos funcionários. Esse tem que ser nosso esforço”, concluiu o presidente da ACSP, Alencar Burti.