Sistema de transportes só muda em 2010, diz novo chefe da STT
Quando o ainda prefeito eleito Sebastião Almeida (PT) anunciou o engenheiro José Evaldo Gonçalo, 42, como novo secretário de Transportes e Trânsito, em dezembro, houve grande alvoroço no meio político e no setor cuidado pela Secretaria. Sua estreita ligação com a família Tatto – do PT estadual e de atuação marcante no setor de transportes públicos durante o mandato de Marta Suplicy na prefeitura da Capital – somada às promessas de campanha de Almeida (que tinham como carro chefe a abertura de licitação para empresas de ônibus e a implantação do bilhete único e de corredores exclusivos de ônibus) trazia a expectativa de uma revolução no setor, tão criticado sob o comando da ex Patrícia Veras.
No entanto, o guarulhense só verá mudanças mais profundas na cidade no próximo ano. Foi o que admitiu ontem o novo comandante da STT, em entrevista exclusiva ao Guarulhos Hoje. José Evaldo diz que não há possibilidade de ser implantado um novo sistema de transportes na cidade antes da aprovação de uma lei que regulamente o setor. “O novo modelo contará com o reordenamento de linhas e a integração física e tarifária. Mas isso leva tempo. Não é de um dia para o outro. O sistema estabelecerá, entre outras coisas, quantos ônibus ficarão, quantas lotações ficarão, como eles se integrarão ou não, se vai ter um sistema estrutural ou local alimentador, como vamos integrar com o corredor Tucuruvi/Taboão etc”, afirmou. “Dentro de um ano eu quero ter o projeto de transporte pronto e a lei para apresentar na Câmara.”
Tudo integrado – Segundo o secretário, não há como antecipar qualquer medida prometida pelo prefeito em curto prazo, como o bilhete único, por exemplo. “Estão todos integrados ao sistema: o bilhete, os corredores e os terminais. Seria uma incoerência técnica fazer a implantação do bilhete único sem ter o sistema de concessão e permissão implantados”, disse.
José Evaldo apontou para o avanço na obtenção do diagnóstico do transporte público como resultado positivo nesses primeiros dias na cidade. “Já conseguimos identificar dados de linhas existentes, nível de carregamento, linhas superavitárias, onde tem sobreposição de linhas, sobreposição de ônibus com lotação, de ônibus local com intermunicipal”, explicou, dizendo que tem se reunido com técnicos e que deve convidar consultores de fora para auxiliar na elaboração do novo sistema.
“Hoje temos um modelo mínimo de como a gente vai tocar esse trabalho. Temos que constituir três grupos: um para trabalhar o modelo funcional; outro o modelo de delegação, que cuidará da parte legal; e um no modelo de gestão, que estabelecerá o equilíbrio financeiro da implantação”, apontou o secretário.
Atraso – José Evaldo considera importante esse período de um ano para resolver a questão legal e elaborar o modelo do novo sistema de transporte. Ele aponta o atraso que a cidade possui com relação a determinações legais que ainda não cumpre para estabelecer o prazo. “Tenho um diagnóstico claro de que estamos atrasados. Até 2000 a cidade tratou o setor com desdém. A gestão Pietá fez muito, mas, para uma cidade do porte de Guarulhos, oito anos é um tempo muito curto. Tomando por base o Código de Trânsito, de 1998, nós temos uma série de pendências para resolver. Não temos um plano de mobilidade, exigido pelo Estatuto das Cidades, aprovado há dois anos; precisamos de um plano de viário estruturado”, explicou.
“Além do que é visível para a população, temos todo um arcabouço para ser feito. Aprovar uma lei de trânsito não é fácil em nenhum lugar. Curitiba, que tem um transporte público admirado no mundo todo, não fez licitação até hoje.”
Trânsito pode ter mudanças operacionais em curto prazo – Se o setor de transportes terá que esperar mais de um ano para ser melhorado, o secretário diz que no trânsito – um dos maiores alvos de críticas no último governo – haverá mudanças operacionais rápidas. “Vou ter muito trabalho. Guarulhos cresce demais. Há bairros com crescimento que supera o de algumas cidades. E isso reflete diretamente no trânsito”, afirmou, tomando cuidado para não criticar projetos implementados pela sua antecessora, mas deixando claro que revisará muita coisa. “Todo projeto a ser feito ou revisto será discutido com a comunidade.”
Três iniciativas devem ser o primeiro passo para uma “modernização” do setor, segundo José Evaldo. “Temos que caminhar para ter um CCO [Centro de Controle Operacional] do trânsito e do transporte. Temos, também, que trabalhar previamente com a integração semafórica, uma sinalização inteligente. E, paralelamente, temos que ter mais agentes de trânsito e mais preparados.”
O secretário diz que a integração semafórica (conhecida também como “onda verde”) pode resolver muitos problemas de congestionamento na região central. “Existem coisas simples, que podem ser feitas rapidamente.”
Resistente a apontar problemas já identificados, José Evaldo disse preferir não alardear medidas pontuais. Mas citou alguns pontos que considerou críticos no pouco tempo em que trafega pelas ruas da cidade.







