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Setor de serviços representa 12,6% das exportações totais de bens

O setor de serviços representou cerca de 64% do Produto Interno Bruto (PIB) do País em 2005, mas seu peso nas exportações ainda é pouco significativo. Naquele ano, as exportações brasileiras do segmento chegaram a US$ 14,9 bilhões, o equivalente a apenas 12,6% das vendas totais de bens brasileiros (US$ 118,3 bilhões). Com o volume alcançado, o País não figurou nem entre os 30 principais exportadores mundiais de serviços.

O setor terciário, como também é denominados o segmento de serviços, é considerado o de maior potencial de penetração nos mercados internacionais e, segundo especialistas, a solução para o Brasil garantir sua posição no cenário econômico mundial. Em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, o segmento serviços é que garante o saldo positivo nas transações internacionais. A balança comercial de bens norte-americana é historicamente deficitária, mas os serviços financeiros, franquias de redes de fast-food e produções cinematográficas, entre outros serviços prestados em todo o mundo, ajudam a equilibrar as contas. Em 2005, os Estados Unidos exportaram US$ 354 bilhões em serviços e importaram US$ 281 bilhões, garantindo saldo positivo de US$ 73 bilhões no setor.

Já a balança de serviços brasileira foi deficitária em US$ 8,1 bilhões em 2005. As exportações nacionais do setor crescem ano após ano, e as importações aumentam em patamares bem parecidos. Os dados mais recentes consolidados pelo Banco Central do Brasil mostram que as vendas externas de serviços do País acumularam US$ 10,8 bilhões entre janeiro e julho do ano passado, o que representou crescimento de 22,8% em relação a igual período de 2005. Nessa mesma comparação, as importações brasileiras do setor cresceram 22,4%, saindo de US$ 13 bilhões entre janeiro e julho de 2005 para US$ 15,9 bilhões em 2006.

Superavitários – Apenas três segmentos de serviços têm conseguido registrar superávit em suas balanças individuais: comunicação, construção e serviços empresariais e profissionais, dentro do qual se destacam os relativos a informática. Um dos principais grupos nacionais desse segmento, o Stefanini IT Solutions, já obtém 28% de seu faturamento com os serviços prestados em outros países.

Segundo o presidente do grupo, Marco Stefanini, no ano passado seu faturamento foi de R$ 312 milhões, o que representou crescimento de 20% em relação a 2005. Já a receita obtida no mercado externo aumentou 70%. “Nosso foco em 2007 é o exterior. Além disso, até o final do ano pretendemos consolidar nossa abertura de capital”, afirma.O grupo Stefanini está presente em 14 países, nos quais presta serviço de gerenciamento de aplicativos e de estruturação de infra-estrutura de Tecnologia de Informação.

Construção – Considerada a maior organização brasileira da área de construção, a Odebrecht exporta seus serviços desde 1978. Hoje, a constru-tora toca obras em 18 países. No ano passado, entre bens e serviços a empresa exportou US$ 430 milhões. A receita dos serviços, somente no mercado externo, foi de US$ 2,2 bilhões, 12% a mais que em 2005.

Apesar da presença da empresa na Europa e nos Estados Unidos, os principais mercados da construtora são os países em desenvolvimento. “Nosso forte é construção pesada, como rodovias, ferrovias e aeroportos, projetos mais comuns em países em desenvolvimento. Nesses lugares também não precisamos concorrer com construtoras locais fortes”, destaca o diretor de relações institucionais da Odebrecht, Roberto Dias.

O fluxo mundial de serviços, em 2005, totalizou US$ 2,41 trilhões, o que representa 23,2% do comércio mundial de bens, de US$ 10,39 trilhões.

Mercado interno – A receita gerada anualmente pelo setor de serviços no Brasil está próxima dos R$ 400 bilhões. Os segmentos de transporte e comunicação são responsáveis por quase a metade desse montante. A alta competitividade dessas áreas é um dos fatores apontados por especialistas para explicar essa realidade. O setor terciário também é bastante receptivo a investimentos estrangeiros. Em 2005, o setor recebeu de fora recursos da ordem de US$ 12,5 bilhões, quase o dobro do investido por estrangeiros na indústria nacional no período.

Ainda no plano interno, os serviços englobam cerca de 945 mil empresas, que geram 15,8 milhões de empregos. Das 20 maiores empresas do Brasil, 12 são do setor terciário. Já em relação às micros e pequenas, perto de 97% correspondem a prestadoras de serviços.

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