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Sem crise para as marcas próprias

O setor de marcas próprias deve registrar crescimento de 15% em 2009 e pode se expandir ainda mais, estimulado pela crise econômica que abala os mercados nacional e internacional, porque oferece preços menores e custo-benefício maiores para os consumidores. A avaliação é da Associação Brasileira de Marcas Próprias e Terceirização (Abmapro), que afirma que esses avanços ocorrem mais nos períodos de crise e de inflação alta, já que os produtos de marca própria custam entre 15% e 20% menos.

Por isso, a entidade encomendou à Nielsen, agência de estudos, um levantamento sobre o setor. Ele aponta que, entre agosto de 2007 e julho de 2008, o total de itens de marca própria cresceu 31% no Brasil, com um mix de 45 mil produtos oferecidos em 25% das 644 empresas avaliadas. Quanto ao consumo, a pesquisa indicou que eles estão em 48,9% dos lares brasileiros. A presidente da Abmapro, Neide Montesano, lembrou que os períodos de crise causam um efeito psicológico na população que, mesmo não afetada, passa imediatamente a cortar despesas e, neste momento, o setor de marca própria cresce.

Diante desse avanço e da aceitação conquistada nos últimos anos, a Abmapro passou a investir na capacitação do setor, com a realização de grupos de estudo e palestras para todos os representantes da cadeia. Além disso, firmou parcerias com a fundação Getúlio Vargas e prepara, ainda para este ano, seu primeiro congresso.

De acordo com Montesano, as marcas próprias surgiram na França na década de 50 do século passado. Elas passaram por várias fases de evolução, desde o período inicial, com a oferta de produtos de baixa qualidade, até hoje, quando atingiram elevado grau de sofisticação, que leva em conta até a sustentabilidade ecológica.

Exemplos – O Grupo Pão de Açúcar é uma das redes varejistas que estão investindo maciçamente em produtos de marca própria. Ela já tem a Taeq, que oferece 500 itens alimentícios, e a Qualitá, com produtos da cesta básica. Dentro dessa última, foi lançada neste ano a divisão de itens de higiene e limpeza.

O gerente de marcas exclusivas do grupo, Eduardo Gasparini, explica que a Taeq é a primeira marca que o empreendimento lançou em 2006. Surgiu depois que executivos da rede constataram que os consumidores não adquiriam esses itens porque associavam preço baixo à qualidade inferior. Por isso, a rede decidiu criar uma marca diferenciada, baseada na oferta de qualidade e bem-estar. “Conseguimos alcançar esse objetivo com a Taeq, porque todos os itens têm qualidade, e os alimentos são práticos. Com isso, atraímos mais consumidores para a rede porque eles são vendidos apenas nas unidades Pão de Açúcar.”

A empresa não divulga qual a participação da marca em suas vendas totais, mas seu sucesso incentivou a criação de outra linha própria, a Qualitá, composta de alimentos da cesta básica. Ela obteve resultados tão expressivos que foi ampliada com a inclusão de itens de limpeza.

Outro setor que se beneficiou com o avanço da marca própria foi o de fornecedores, que acabou se especializando. A Cinalp, vendedora de alimentos como achocolatados, chocolate em pó, mistura para bolo e fermento em pó, registrou aumento de 21% em suas vendas em fevereiro deste ano sobre igual período de 2008. Seus principais clientes são as redes Carrefour, Wal-Mart e Makro, entre outros, segundo o diretor comercial Maurício Moral.

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