A Revolução Industrial, que começou no século XVIII, trouxe uma economia radicalmente nova. Contudo, ela não eliminou a busca do lucro, mas transformou quase todo o restante, das finanças à vida familiar, do trabalho à guerra, do emprego de recursos à religião. Hoje, numa escala muito maior e mais rápida, novos sistemas econômicos e sociais estão tomando forma, e também vão transformar praticamente todo o resto.
Durante a primeira fase da Revolução Industrial, milhares de empresas recém-fundadas faliram porque, a exemplo de hoje, os modelos de seus negócios estavam inadequados e mal dirigidos. Ninguém sabia como operar no ambiente emergente, pós-agrário. As empresas precisaram reinventar tudo – fábricas, cadeias de distribuição, relações de trabalho, vendas. Os Mercados oscilaram e muitos investidores perderam dinheiro.
Nessa época, atuava-se segundo a equação:
Custo + Lucro = “Preço”
Modelo em que o preço era determinado pelo custo acrescido do lucro desejado.
À medida que a competitividade foi aumentando, o preço passou a ser determinado pelo mercado. A equação passou a ser vista da seguinte forma:
Preço – Custo = “Lucro”
A idéia de que uma nova economia não está existindo é ridícula. Basta que se observe quão profundamente ela já reestruturou as maiores empresas. Suas hierarquias estão mais niveladas, e seus produtos feitos mais sob medida. As necessidades de qualificação profissional mudaram à medida que o trabalho braçal diminuiu e o trabalho mental aumentou. Redes de fornecimento reduziram a integração vertical e mercados passaram a ter nichos. As empresas estão sendo forçadas a inovar e a operar num ritmo mais rápido do que nunca.
Hoje, a competitividade é baseada na satisfação total do cliente, o preço é determinado pelo mercado e o lucro objetivado é para remunerar o capital. Assim, a equação passa a ser:
Preço – Lucro = “Custo”
Nesse modelo, o custo é que precisa ser administrado.
Para uma empresa ser competitiva, precisa estabelecer um controle de custos visando uma redução dos defeitos, dos desperdícios de matérias-primas e de insumos, de energia, dos retrabalhos, etc.; precisa rever, procurando melhorar, os seus processos e equipamentos e, muitas vezes, os projetos dos seus produtos. Quando a empresa tem um controle dos seus custos, o custo agregado em cada etapa do processo é conhecido, o que torna possível localizar com mais facilidade, onde ela deve concentrar esforços para sua redução.
Segundo os preceitos do “Controle de Qualidade Total”, exercer o controle da qualidade de forma ampla na empresa é fazer com que itens de controle referentes à qualidade, ao custo, ao atendimento, à moral e à segurança sejam gerenciados de forma descentralizada, com participação de todos, obedecendo aos padrões e bloqueando as causas fundamentais das falhas. Deste modo, fica praticamente impossível exercer um controle da qualidade de forma efetiva sem um bom conhecimento e controle dos custos.
De forma geral, os custos determinados mediante técnicas de custeio, possibilitam, à luz do mercado, uma avaliação dos efeitos sobre os lucros e sobre os preços a serem praticados, permitindo à empresa decidir sobre a continuidade, ou descontinuidade, ou ainda a modificação de produtos. Em outras palavras, o preço se analisa a partir de custos. Podemos afirmar também, que se o mercado não paga o preço “estipulado”, é porque existe o mesmo produto ou similar a preços mais vantajosos. Portanto, seu concorrente deve estar trabalhando a custos melhores.
Quando se fala em controle de custo, não se deve esquecer o seguinte fato – os sistemas por si só não se controlam. Qualquer sistema de controle de custo tem que ter por objetivo alimentar a administração com informações. A freqüência de tal informação dependerá da importância relativa entre a informação e o custo em obtê-la. É um erro a suposição de que um sistema de controle de custos resolverá os problemas. As soluções são alcançadas após a interpretação das informações. É conveniente lembrar que as melhores pessoas a se responsabilizarem pela redução dos custos são aquelas que agregam o custo.
Também é necessário se ter uma boa base de comparação. Por exemplo, não é suficiente dizer que a folha de pagamento deste mês foi menor que a do mês anterior. Entretanto, se dissermos que a folha de pagamento deste mês foi menor, para uma mesma quantidade de unidades produzidas, então teremos uma base de comparação, indicando uma melhoria.
O sistema de custo padrão
Para se ter um controle de custos que forneça todas as informações requeridas, é necessário estabelecer certos critérios padrões, para serem usados como base de comparação e como unidade de medida.
O sistema de custo padrão é baseado no princípio de exceção, isto é, os padrões são estabelecidos para cada gasto que seja razoavelmente esperado. Durante o curso das operações, os gastos reais são comparados com os padrões, e as diferenças são expressas como variações. Com isso, a operação normal do sistema não requer relatório bem elaborado. O custo e as indicações de variações, com uma pequena análise, já são suficientes para indicar a tendência. Caso estas indicações revelem resultados anormais, podem ser feitos estudos especiais para determinar as causas.
Os padrões são estabelecidos para cada tipo de gasto: materiais diretos – valor e quantidade; mão-de-obra direta – quantidade por unidade produzida; despesas indiretas – por meio do histórico ou de orçamento. No fim de cada período os gastos são comparados com os padrões. A diferença entre os dois é chamada de variação, que pode ser favorável ou desfavorável. Os custos padrões por unidade devem ser estabelecidos para cada produto, mostrando a quantidade padrão de material (a um preço padrão), a mão-de-obra padrão e as despesas indiretas (através de critério de rateio), resultando no custo padrão total por unidade de produto acabado.
Paulo César Montenegro
Consultor – Sebrae-SP