ACE-Guarulhos

Sebrae quer capacitar pequena empresa para levá-la a exportar

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, anunciou no início do mês que pretende aumentar e agilizar as linhas de crédito de exportação para micro e pequenas empresas, ampliando sua capacidade exportadora. A perspectiva de analistas ligados ao setor é otimista. José Luiz Ricca, diretor superintendente do Sebrae-SP, acredita que o novo governo investirá nas micro e pequenas empresas. “Acho que finalmente estamos passando por um processo de reconhecimento da importância das empresas de pequeno porte. Investir nelas pode ajudar na solução de problemas de emprego, tecnologia, exportação e qualidade de vida”, diz.

Ricca e Gilberto Álvaro Campião, consultor de comércio exterior do Sebrae-SP, afirmam, no entanto, que anunciar uma ampliação das linhas de crédito não é suficiente. Segundo Campião, o principal problema das micro e pequenas empresas hoje continua sendo a falta de garantias para oferecer aos bancos na hora de pedir os empréstimos. “O governo precisa avançar nessa área”, diz. No início do mês, Furlan também anunciou que o governo está disposto a assumir mais riscos para financiar os pequenos empreendimentos. Para Campião, a linha é essa.

Sem interesse – O consultor lembra que não existem linhas exclusivas para financiar as pequenas empresas no mercado externo. Por isso, diz, as linhas existentes acabam beneficiando as grandes companhias. “Os bancos não têm interesse em emprestar para os pequenos. Eles preferem, por exemplo, fazer um empréstimo de R$ 1 milhão do que dez de R$ 100 mil”, explica.

O financiamento pode ser essencial para que as empresas se tornem competitivas e façam bons negócios no mercado exterior, já que para vender, além do melhor preço, muitas vezes é necessário oferecer boas opções de pagamento. Luiz Ricca ressalta que existe muito espaço para que as micro e pequenas aumentem suas exportações. Do total de 4,5 milhões de empresas existentes no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, 98% são micro e pequenos estabelecimentos, sejam eles de serviço, comércio ou indústria. Em 2001, a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior, Funcex, realizou uma pesquisa a pedido do Ministério do Desenvolvimento que comprovou que o percentual de participação das micro e pequenas nas exportações é atualmente de 12%. Em outros países, como nos Estados Unidos e na Itália, os principais exportadores são as micro e pequenas empresas, responsáveis por, em média, 50% das vendas externas.

União para exportar – Para Luiz Ricca, a ampliação do crédito é uma questão necessária, mas não é suficiente. “Além de crédito, as empresas precisam de capacitação, organização e apoio para entrar no mercado internacional”, explica. Para isso, o Sebrae desenvolveu diversos programas com o objetivo de levar produtos nacionais ao mercado exterior com condições de competitividade, em ações que resultem em exportações regulares.

O principal programa é o Consórcio de Exportação, realizado em parceria com a Agência Nacional de Promoção de Exportações, Apex. Os consórcios são agrupamentos de empresas com interesses comuns que passam a compartilhar despesas em eventos internacionais, dividir custos de exportação e recebem apoio governamental em três anos de processo. “O Sebrae tem criado formas de conscientizar as micro e pequenas empresas para que elas possam olhar para o mercado exterior como um grande potencial de negócios. Para isso elas precisam aprimorar sua gestão e adequar a qualidade de seus produtos às exigências do mercado internacional”, explica Ricca.

Gabriela Mendonça

Sair da versão mobile