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Restrições devem aumentar tráfego em Cumbica

Guarulhos, 06 de fevereiro de 2007

Se confirmadas as proibições do uso de aviões Fokker e Boeing no Aeroporto de Congonhas em São Paulo, Guarulhos deve ter um considerável aumento do tráfego aéreo

Para a Justiça Federal, pista de Congonhas é curta para Fokker e Boeing. Decisão afeta diretamente operação de companhias como a Ocean Air, que atualmente só opera aviões Fokker

Todo o problema tem origem na drenagem da pista principal de Congonhas, que provocam risco para passageiros, conforme afirma ação civil pública indeferida. Porém, o juiz Ronald de Carvalho Filho, da 22ª Vara Cível Federal, negou nesta segunda-feira o pedido feito pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) para interdição da pista principal do Aeroporto situado na Zona Sul da capital paulista. Mas determinou, por motivos de segurança, que a partir de 8 de fevereiro, quinta-feira, as aeronaves Fokker 100, Boeing 737-700 e 737-800 sejam proibidas de usar o aeroporto.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) prometeu recorrer da decisão. Porém, se ela for confirmada, boa parte destes vôos será transferida para Guarulhos. A Infraero informou na manhã desta terça-feira que estes vôos devem ser passados para os aeropotos de Guarulhos e de Viracopos, em Campinas, mas não soube precisar quantos irão para cada um nem quantos poderão vir a ser cancelados.

O juiz avaliou documentos e relatórios enviados pela Anac e Infraero para decidir o mérito da ação civil pública. De acordo com a assessoria de imprensa da Justiça Federal (JF), a íntegra da decisão deve ser divulgada na terça-feira. Apesar de não ter determinado o fechamento, o juiz determinou que sejam tomadas algumas providências em relação às operações no aeroporto.

A presidente substituta da Anac conta que no despacho o juiz determina que os três modelos de aeronaves (Fokker 100, Boeing 737-700 e 737-800) serão proibidas de operar no aeroporto a partir de 8 de fevereiro, pois, de acordo com o magistrado, essas aeronaves precisam de mais 20% de pista. “Vamos recorrer para salvaguardar o interesse dos passageiros, pois a decisão diminuiria muito a oferta em Congonhas e já existem passagens vendidas”, afirma a presidente substituta.

Afetadas – Denise informou que a OceanAir será uma das companhias mais afetadas com a decisão porque a empresa só opera com Fokker-100 e a maior parte de seus vôos está concentrada no aeroporto de Congonhas.

O presidente da Ocean Air, Carlos Ebner, disse estar “surpreso” com a decisão. Ele afirmou que a empresa não irá se pronunciar oficialmente até ver o conteúdo da decisão judicial e que espera que ela tenha fundamentos técnicos.

A Gol também deve ter impactos sérios, pois sua frota é formada principalmente por Boeings 737-700 e 800, incluídos na restrição, além de alguns 737-300. Cerca de 30% dos vôos da companhia passam por Congonhas, conforme declaração dada pelo seu presidente, Constantino de Oliveira Junior, em teleconferência em 30 de janeiro.

Na ocasião, o executivo cogitou transferir alguns vôos de Congonhas para Guarulhos por causa das obras programadas para o final de fevereiro, quando a pista auxiliar de Congonhas sofrerá algumas melhorias. A pista principal, que apresenta os problemas de derrapagens em dias de chuva, só deverá ser reformada a partir de junho, segundo o cronograma atual da Infraero, que administra o aeroporto.

A medida da Justiça deverá ter menor impacto sobre TAM e Varig, que possuem poucas unidades de Fokker-100 (TAM) e Boeing 737-700 e 800 em suas frotas. A TAM opera principalmente modelos A-320 da Airbus, e a Varig, Boeing 737-300 e 400.