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Quem espera as liqüidações paga menos

De olho nos tradicionais descontos, saldões e liqüidações de janeiro, a auxiliar administrativa Fernanda Lopes decidiu não comprar nada em dezembro. Ela poupou o 13° salário e esperou o ano virar para levar para casa os eletrodomésticos de que precisava: geladeira, cafeteira e liqüidificador. Fernanda só precisou de um pouco de paciência para economizar 50% no que gastaria com as compras. O dinheiro poupado agora vai pagar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e a matrícula da escola do filho, que vencem neste mês.

“Depois de começar alguns anos já com o orçamento estourado, aprendi a esperar janeiro para comprar pagando menos”, disse. Segundo Fernanda, esperar pelas liqüidações tem ainda outra função: avaliar se a compra é realmente necessária. “Muita coisa que adquiri em promoções nunca usei. Mas, com o tempo, aprendi que qualquer preço que se pague por algo que você nunca vai usar é alto demais.”

Ela tem razão, de acordo com especialistas em finanças pessoais. Muitas pessoas acabam se deixando envolver pelos descontos anunciados e levam para casa produtos que ficarão esquecidos no fundo do baú por muito tempo — e ainda ficam endividadas. “Nesses períodos de promoções, o consumidor pode conseguir descontos de até 70% em roupas ou eletrodomésticos”, disse o professor de Economia da Faculdade Getúlio Vargas e autor do livro “Como fazer orçamento familiar”, Fábio Gallo Garcia. “Mas não é porque um campo de futebol está barato que você precisa levar o Maracanã inteiro para casa.”

Planejamento —
A recomendação é que, antes de comprar, o consumidor analise com cuidado seu fluxo financeiro para saber se as compras de Natal e os compromissos que vencem em janeiro, como impostos anuais e despesas escolares, já não sufocaram o orçamento. Depois disso, é preciso fazer uma lista dos itens realmente necessários. “Essa é uma maneira de evitar que seu guarda-roupa fique cheio de peças que nunca sairão de lá”, afirmou o planejador financeiro pessoal Fabiano Calil.

Ele citou o exemplo de uma amiga que aproveitou um saldão para comprar bolsas de grife. Ela conseguiu até 60% de desconto nos modelos. Mas, quando chegou a fatura do cartão de crédito, teve de usar o limite do cheque especial para fazer o pagamento mínimo e assumiu os juros de 12% ao mês do cartão de crédito e 8% do limite bancário. “Depois de três meses, com as altas taxas se acumulando, ela fez um empréstimo pessoal para quitar o cartão de crédito e o cheque especial, mas acabou entrando de novo no vermelho para pagar o novo empréstimo. As contas evoluíram como bola de neve”, disse. “É por isso que a organização da vida financeira é primordial para um dia-a-dia mais tranqüilo”, afirmou.

Na hora da compra, é importante considerar se a loja permite a troca de peças em promoção. Se o consumidor aceitar levar para casa produtos com pequenos defeitos, normalmente não vai poder reclamar depois. Por isso, a loja deve listar os problemas da mercadoria já na nota fiscal. De acordo com o Procon, quaisquer problemas não descritos na nota fiscal garantem ao consumidor o direito de reclamar e trocar o produto por outro igual ou abater do preço um valor proporcional. E até mesmo resgatar as quantias pagas, com correção monetária.

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