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Protesto de títulos em queda na cidade

A alta na taxa básica de juros (Selic), promovida pelo Banco Central para enfrentar a crise econômica mundial e o aumento do índice de inflação brasileiro, ainda não afetou a saúde financeira das empresas em São Paulo. Uma das maneiras de se constatar essa informação é através do número de títulos protestados, no mês passado, na capital, divulgado pelo boletim do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O levantamento mostra que, entre janeiro e agosto, o volume de títulos protestados caiu de 394 mil no ano passado para 301 mil em igual período deste ano. Somente no varejo, a redução foi de 52,4%.

“Nosso sinal de alerta, no entanto, é que a falta de controle no aumento das taxas de juros vai certamente levar à inadimplência e à conseqüente desestabilização no caixa das empresas. É preciso moderar as altas dos juros, defende a Associação Comercial de São Paulo”, disse o economista do IEGV, Emilio Alfieri.

A Selic, divulgada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), está atualmente em 13% ao ano. A próxima reunião do Comitê acontece hoje e amanhã, em Brasília. O mercado espera outro aumento nos juros, de 0,75 ponto percentual.

Apesar da queda geral no número de títulos protestados, há, no comércio, setores que mantêm elevação nesses papéis em cartório. É o caso de tecidos, armarinhos e artefatos para tecidos que, em agosto, registraram 889 títulos protestados na cidade de São Paulo. Em julho, esse volume chegou a 606 papéis. A indústria têxtil acompanha esse ritmo. No mês passado, foram 308 protestos ante 139 em julho. “É um setor que sofre com o câmbio e a entrada descontrolada de produtos asiáticos com preços inferiores ao custo das empresas brasileiras”, observou o economista.

O setor de varejo de peças para veículos também tem elevada taxa de títulos em protesto, mas por outros motivos. Neste caso, o setor passou de 317 protestos em julho para 517 em agosto. “Os comerciantes de peças enfrentam a forte venda dos carros novos e a baixa utilização de oficinas para consertos”, completou Alfieri.

“Tem que fazer uma boa compra dos fornecedores para efetuar uma boa venda. E isso significa negociar descontos no pagamento à vista”, é a receita do gerente da loja Tecidos Mariel, da rua 25 de Março, Vicente Paulo Assis. Para ele, o auge da crise do setor, com a chegada dos produtos asiáticos, já passou. Com as vendas no varejo aquecidas, o mercado se estabilizou, mas o custo dos tecidos importados continua menor. “O cliente vai pelo preço e a indústria tem que se adaptar reduzindo a margem de lucro ou até mesmo a qualidade do tecido para competir”, observou Assis.

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