Um convênio assinado ontem entre a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e o Sebrae Nacional (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) vai levar a experiência do Projeto Empreender – Internacional para entidades congêneres na África do Sul, Moçambique, Chile, México e El Salvador.
Representantes desses países relataram seus esforços para ajudar no desenvolvimento das micros e pequenas empresas. Eles mostraram que é comum a todos, como no Brasil, o curto ciclo de vida do segmento. Também conheceram de perto os resultados do Empreender no Brasil, em encontro na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Hoje cedo eles viajam para Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, berço do projeto. Lá ficarão oito dias sendo treinados com as metodologias do Empreender, um conjunto de ações para fortalecer e desenvolver as micros e pequenas empresas, por meio do associativismo. “Trata-se de um passo importante para troca de experiências que vai ajudar a aprimorar também nossas ações”, disse Alencar Burti, presidente da CACB, da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da ACSP.
Esforço – Burti destacou o esforço conjunto da CACB e Sebrae-Nacional para garantir o “êxito do Empreender, que poderá
contribuir para o objetivo comum de fortalecer os pequenos negócios, grandes geradores de renda e empregos, aqui e em
outros países”.
Para ele, “os problemas, angústias e preocupações” que se apresentam para os pequenos são comuns a todos. Citou alguns
exemplos: a falta de métodos de gestão, a burocracia, a dificuldade de acesso ao crédito e às novas tecnologias que
conferem competitividade a uma empresa. “E essa troca de informações trará soluções para garantir uma vida mais longa
para esses negócios”, enfatizou o presidente da ACSP.
Édson Lupatini, secretário de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), disse que ” todos ganham com essa parceria”. Ele informou que sua secretaria dispõe de um cadastro nacional com 16 milhões empresas, fruto de um trabalho conjunto de todas as Juntas Comerciais do País. Essas informações, segundo Lupatini, são minuciosas e estarão disponíveis, ainda neste semestre, para que os órgãos públicos promovam ajustes.
A partir de junho-julho assegurou que o cadastro estará à disposição do setor privado. “Com esses dados será possível verificar e apoiar melhor as vocações regionais”, disse. “Não podemos perder essa oportunidade”, afirmou Burti, que colocou a CACB como meio para divulgar o cadastro para as 27 federações, que reúnem mais de 2 mil associações comerciais em todo o Brasil.
Luiz Carlos Barbosa, diretor técnico do Sebrae-Nacional, disse que a entidade e seus parceiros já realizaram mais de 14 milhões de consultas de empreendedores. Lembrou que o Empreender parte do princípio que, isolado, o micro e pequeno empreendedor é frágil. “Por isso queremos agrupá-los para que ganhem força, escala e competitividade.”
Carlos Resende, coordenador executivo nacional do Empreender da CACB, mostrou que em 10 anos o projeto evoluiu rapidamente para 800 municípios, atendendo a mais de 40 mil empresas. O superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella, relatou o exemplo do Projeto Empreender, em São Paulo, já instalado em 177 municípios, com 1,3 mil grupos de trabalho.
Para o vice-presidente da Facesp e deputado federal Marco Aurélio Bertaiolli (DEM), a rede capilar das 420 ACs que integram a entidade foram decisivas para o sucesso do Projeto. Mostrou aos líderes estrangeiros a independência institucional e financeira da entidade “que sobrevive da livre contribuição dos associados e dos serviços que presta”.
O secretário de Relações Internacionais da Cidade de São Paulo, Alfredo Cotait Neto e o vice-coordenador da São Paulo Chamber of Commerce da ACSP, Luiz Roberto Gonçalves, apresentaram os esforços para inserir o micro e pequeno negócio paulista no comercio mundial.