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Produção industrial paulista encontra ponto de acomodação

A atividade industrial alcançou um patamar de acomodação. É isso o que mostra o resultado do Indicador do Nível de Atividade (INA), apurado em conjunto pela Federação e o Centro da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Em fevereiro, o setor produtivo cresceu 1,9% na comparação com janeiro, já considerado o ajuste sazonal. Sem o acerto em relação à sazonalidade, a oscilação foi de 0,2% na mesma comparação, e de 9,2% sobre o mesmo mês do ano passado.
No primeiro bimestre, o nível de atividade já acumula uma elevação de 6,9% em relação ao mesmo período de 2004. O nível de utilização da capacidade instalada, por seu lado, ficou em 79,5% em fevereiro. O resultado é praticamente o mesmo apurado em janeiro, quando ficou em 79,4%.

Dos 17 setores acompanhados mensalmente, o maior uso da capacidade instalada foi registrado no segmento de veículos automotores, com 92,1%, seguido por metalurgia básica (87,5%) e papel e celulose (85,5%). Na contramão, o setor de edição e impressão novamente teve a menor capacidade instalada, de 67,2% em fevereiro.

Sem dinamismo – “O resultado do mês não surpreendeu, pois já prevíamos a manutenção de crescimento, embora, como ficou comprovado, com menos dinamismo”, disse Paulo Francini, diretor de Economia da Fiesp. Já o diretor de Economia da Ciesp, Boris Tabacov, complementou dizendo que o “Brasil possui uma grande demanda reprimida e ainda levará alguns anos para superá-la”.

Esse é o motivo, segundo ele, das empresas ligadas especialmente ao consumo doméstico continuarem apresentando crescimento. “Resta saber até onde vai a capacidade de endividamento da população para adquirir esses bens”, afirmou Tabacov.

Emprego em alta – Na comparação com fevereiro do ano passado, houve um crescimento de 9,9% no total de horas trabalhadas na produção. Não à toa, o total de salários nominais registrou crescimento de 17,2%. “Esse crescimento é reflexo também da melhora do emprego. Afinal, mais gente está empregada neste início de ano. Ou seja, mais gente trabalhando é mais salário sendo pago”, afirmou o diretor do Ciesp.

As vendas nominais também tiveram resultado muito positivo. Segundo o INA, a expansão foi de 31,4% sobre fevereiro do ano passado. Uma vez que as horas trabalhadas não acompanharam o mesmo ritmo, os economistas acreditam que o resultado das vendas pode significar que as indústrias paulistas decidiram reduzir seus estoques.

Patrícia Büll

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