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Produção industrial cresce pelo 9º mês

A produção industrial cresceu pelo nono mês consecutivo em fevereiro. A expansão chegou a 4,1%, em relação ao mesmo mês de 2002. Com isso, no ano, o aumento acumulado já é de 3,4% e, nos últimos 12 meses, está em 3,1%. O crescimento, porém, continua sendo puxado quase que exclusivamente pelas exportações, mostram os dados divulgados na terça-feira (08) pelo Instituto Brasileiro de geografia e Estatística, IBGE.

“Sob diversos ângulos, a indústria vem sendo beneficiada pelas exportações nesses últimos nove meses”, afirmou Silvio Sales, chefe do Departamento de Indústria do IBGE. Um exemplo: por setores, o que apresentou melhor desempenho em fevereiro foi o de bens de consumo duráveis, que teve aumento de 10,3% frente ao ano passado.

Segundo Sales, essa alta se deve, basicamente, ao segmento de veículos – que, por sua vez, vem ampliando suas vendas no mercado externo. Pesquisa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, revela que as exportações de automóveis subiram 72% no primeiro bimestre deste ano, ante igual intervalo de 2002.

Limite – Outro ramo mais voltado ao mercado externo é o de bens intermediários, disse Silvio Sales. Em fevereiro, a produção do setor subiu 4,5%, em relação ao mesmo mês do ano passado. No bimestre, a alta é de 4,7%. Esse segmento engloba as áreas de petróleo, siderurgia e também alguns produtos agrícolas mais elaborados, que são claramente grandes exportadores”, afirma.

“É claro que, para atender à demanda do mercado externo, outros setores acabam beneficiados, mas há um limite”, acrescenta Sales. “O grosso da produção nacional é destinada para o mercado interno, exportamos pouco. Por isso, há um teto até onde as exportações podem impulsionar a atividade industrial”, disse. Para ele, para sustentar essa expansão da indústria, “é preciso que a demanda interna cresça”. O que não vem acontecendo.

Ventiladores – Em fevereiro, a maioria dos setores industriais voltados mais ao mercado doméstico apresentou retração: foi o caso do têxtil (queda de 5% em relação a 2002) e do químico (baixa de 1,3%). “Nessas áreas, a tendência é de queda”, afirma Sales.

O segmento de eletrodomésticos foi a exceção – cresceu 2,1% no período, beneficiado pelo ramo de portáteis, que teve expansão de 31,4%. Segundo Sales, essa alta dos portáteis se deve às vendas de ventiladores, “por causa da extensão do verão”.

Sales explicou que a expansão de 4,1% de fevereiro teve alguma influência do Carnaval. Isso porque, neste ano, o Carnaval caiu em março e, em 2002, em fevereiro, o que afeta a base de comparação. De toda forma, disse, o crescimento foi expressivo. Em relação a janeiro, houve alta de 0,7%.

Giuliana Napolitano

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