ACE-Guarulhos

Posição da FACESP/ACIG – Dúvidas e incertezas

O início do horário eleitoral gratuito provocou grandes mudanças nas intenções de votos apuradas pelas pesquisas eleitorais no tocante aos candidatos à Presidência da República. Embora tais resultados não possam ser considerados definitivos, podendo sofrer alterações em próximas pesquisas e, sobretudo, como também os resultados das urnas, parece não haver dúvidas de que os programas políticos servem para potencializar eventuais colocações falhas ou atitudes dos candidatos, especialmente quando exploradas por seus oponentes no horário gratuito que, infelizmente, tem servido, muitas vezes, mais para ataques entre os competidores do que para a apresentação de propostas.

Ciro Gomes, por seu estilo impetuoso e, muitas vezes, agressivo, parece ter sido o principal atingido pela amplificação de seus “escorregões verbais” e contradições, por ter sido colocado como alvo preferencial dos ataques de seu principal oponente na disputa por uma vaga no segundo turno das eleições.

Enquanto isso, o candidato que lidera as pesquisas, Lula, tem sido poupado não apenas de ataques, como de cobranças sobre pontos importantes de sua conduta no caso de uma eventual vitória nas eleições para Presidente da República, o que impede que o eleitor possa fazer uma avaliação mais consistente de sua candidatura, que envolve não apenas sua pessoa, mas, sobretudo, as forças políticas que lhe dão sustentação, a começar por seu partido, o PT, cujo programa aprovado no congresso de Recife no final do ano passado, sob o título de ” A ruptura necessária”, contrasta com discurso recente do candidato.

Em se tratando de um partido reconhecido por manter coerência de suas posições, as quais nortearam inclusive a conduta de seus parlamentares nas votações no Congresso Nacional sobre temas relevantes, existem dúvidas a serem desfeitas sobre qual será a participação efetiva do PT no eventual governo Lula e qual o peso a ser atribuído às posições tradicionais e às propostas aprovadas pelopartido em dezembro último. Ocandidato abandonou definitivamente as posições e proposições do documento do partido, ou apenas não as coloca em debate neste momento por razões eleitorais? Qual será sua postura no caso de eleito com relação a grupos fortemente ligados a seu partido, e cuja atuação no passado foi por ele apoiada? Não basta afirmar que “é o único candidato em condições de fazer uma reforma agrária tranqüila” e que irá suspender “repressão institucional aos trabalhadores rurais” porque “Estado agirá de forma a evitar situações de conflito no campo”, pois o MST já avisou que se a mesma não for feita como o Movimento exige, as invasões continuarão a ocorrer. É preciso ser mais claro quanto à sua posição em relação à defesa da propriedade caso o MST resolva continuar desafiando a Lei. Também no tocante às reformas da Previdência e da legislação trabalhista, que enfrentaram oposição do PT e de outros grupos de apoio ao partido , como a CUT e os sindicatos ligados ao setor público, qual será a posição de Lula caso seja eleito. Contrariará a luta histórica de seu partido e de suas bases de sustentação para implementar as reformas ou elas serão condicionadas pelas posições desses grupos, o que as inviabilizará?

Essas dúvidas e incertezas precisam ser esclarecidas no horário eleitoral gratuito para que os eleitores possam avaliar efetivamente como serão conciliadas as necessidades imperiosas de reformas e de ajuste estrutural do setor público com os interesses de grande parte dos militantes de seu partido.

Deve-se considerar que não é apenas o candidato do PT que precisa explicar melhor sua posições e propostas, bem como seus compromissos com os grupos que os apoiam, os quais, no geral, têm tido posições divergentes sobre muitos temas relevantes para a superação dos problemas estruturais e conjunturais enfrentados pelo País.

É de se lamentar que nenhum dos candidatos, até agora, tenha colocado o fortalecimento da livre iniciativa como prioridade para a retomada do desenvolvimento, apresentando promessas de criação de milhões de empregos como se o governo fosse capaz de resolver o problema do desemprego no País.

Nenhum deles apresentou propostas para estimular a criação de empresas como forma de oferecer a milhões de brasileiros um emprego ou ocupação que lhe garanta uma sobrevivência digna. Pelo tom dos discursos parece que o Estado é a solução para os problemas brasileiros, ao invés de sua principal causa. Também não se viu nenhuma projeto de redução do custo da máquina pública que seguisse o exemplo das empresas que, para sobreviver à brutal elevação da carga tributária, aos juros altos e à recessão, foram obrigadas a cortar gastos, aumentar a eficiência na gestão de seus recursos.Sem um significativo enxugamento da despesa pública, o Estado continuará a representar um peso excessivo para a sociedade, sem oferecer acontrapartida em infra-estrutura, saúde, educação e outros serviços que os contribuintes deveriam receber como retorno do substancial volume de recursos que entregam aos governos.

Os eleitores em geral, e os empresários em particular, ainda aguardam dos candidatos esclarecimentos sobre esses e outros pontos fundamentais, para que possam decidir seu voto com base em propostas e posições objetivas e não por promessas superficiais que procuram contentar a todos.

Sair da versão mobile