ACE-Guarulhos

Pode faltar mercadoria para liquidação

Sobrou menos mercadoria neste ano para as tradicionais liquidações de inverno. Já há lojistas buscando produtos em consignação com fornecedores para honrar as promoções anunciadas. “Estamos orientando os lojistas a obter condições especiais de negociação com os fabricantes”, diz o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun.

A 14ª edição da Liquida São Paulo, por exemplo, uma grande liquidação que envolve 21 shoppings da cidade, marcada para os dias 13 a 22 de agosto, estava programada há dois meses. De acordo com Sahyoun, na época não se previa que o desempenho das vendas de artigos de inverno seria tão favorável por causa do frio intenso, da recomposição da renda e do aumento do emprego, entre outros fatores. Com descontos de até 70%, a expectativa é ampliar as vendas entre 5% e 7% em relação a igual período do ano passado.

“A liquidação começa após o Dia dos Pais, como normalmente deve ser. Em 2003, no entanto, o evento foi antecipado porque os negócios não deslancharam como se esperava”, observa Sahyoun.

Para o Dia dos Pais, os prognósticos são igualmente favoráveis. A Alshop prevê crescimento entre 5% e 5,5% nas vendas ante o ano anterior. O índice é maior do que o registrado no Dia das Mães deste ano (3%) e no Dia dos Namorados (4%), embora essas duas datas superem em valores o total vendido no Dia dos Pais.

O prognóstico da Alshop já havia sido antecipado pelo economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, em reportagem publicada recentemente no Diário do Comércio .

Só para ricos – Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), porém, aponta que a demanda no varejo está restrita à classe de maior poder aquisitivo. Para os economistas Alexandra Godoi e Geraldo Gardenali, responsáveis pela avaliação, isso ocorre porque com a elevação da inflação e a manutenção da Selic (taxa de juro real) tem se desacelerado, tornando mais atraente o consumo em detrimento do investimento na poupança.

Prova disso é que os setores que vêm mostrado os melhores índices de recuperação são os dos bens duráveis, com destaque para o automotivo. “Estamos no primeiro momento do processo de crescimento” afirma Alexandra, acrescentando que na fase posterior, os empresários se vêem estimulados a investir e, consequentemente, há um aumento do emprego e da renda, disseminando, assim, o consumo para outros setores da economia.

Na avaliação dos economistas da FGV-SP, os indicadores positivos de atividade são incontestáveis, mas ainda incipientes. Na visão deles, “o crescimento ainda não atingiu toda a economia”. Segundo os economistas, esse fator se confirma ao analisar setores como o de vestuário e de alimentação, que têm mostrado desempenhos negativos dentro dos indicadores de inflação.

Sair da versão mobile