A informatização é uma realidade hoje nas micro e pequenas empresas. Uma pesquisa realizada pela Cadempi (Câmara de Desenvolvimento da Micro e Pequena Empresa), ligada à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com 849 empresas revelou que 98% já possuem algum sistema informatizado de troca ou consulta de dados.
“É um dado surpreendente, tendo em conta que há três anos esse número não chegava a 45% das empresas. As pessoas tinham medo até da Internet. Hoje essas empresas já conversam com bancos online”, disse Marco Reis, diretor responsável pela área de informatização das empresas na Cadempi.
Segundo o coordenador da Cadempi, Ermano Marchetti, a pesquisa “Conhecendo a pequena empresa” começou no início do ano com a distribuição de questionários para 849 micro e pequenas empresas associadas à Fiesp. As questões de múltipla escolha tinham por objetivo identificar a real necessidade das pequenas indústrias instaladas no Estado de São Paulo.
“Essa pesquisa proporcionará à Cadempi identificar os principais problemas que enfrenta atualmente a pequena empresa e propor soluções”, diz Marchetti. Dos entrevistados, 8% eram micro e 92% pequenos empresários. A pesquisa foi distribuída no interior (48%), capital (32%) e Grande São Paulo (20%).
A maior parte das empresas tinha mais de 20 anos de existência (53%). A pesquisa foi divida em três partes: informatização, competitividade e comércio exterior. “Dividimos assim porque os três assuntos estão intimamente interligados. Uma empresa para exportar e ser competitiva precisa se atualizar e informatizar e vice-versa: a informatização pode tornar uma empresa mais competitiva e com isso conseguir o mercado externo”, afirma Marchetti.
Em relação à informatização, as empresas também surpreenderam quando mostraram que já estão conectadas em rede (60%) e utilizam a Internet no dia-a-dia (97%). Além disso, tanto micro como as pequenas usam softwares gerenciais em sua gestão (56%). Os pequenos empresários não só estão informatizados como atualizam seus sistemas a cada dois anos. Cerca de 76% dos entrevistados dizem fazer modificações a cada dois anos.
O custo dos softwares, hardwares e dos equipamentos ainda é o principal obstáculo para ampliar o processo de informatização das empresas. Cerca de 37% dos entrevistados vêm como principal dificuldade o custo dos equipamentos e 33% dizem que o custo de softwares está em segundo lugar. “Sabemos que são necessários no mínimo R$ 10 mil para a implantação de um sistema informatizado numa empresa. Para os pequenos, esse valor é oneroso”, diz Marco Reis.
Apesar dessas dificuldades, as micro e pequenas empresas estão dando um “upgrade” tecnológico. No passado, segundo o diretor, as pequenas indústrias compravam softwares gerenciais de revendas. “A demanda hoje é outra. Elas estão desenvolvendo seus próprios sistemas integrados”.
Competitividade
Em relação à competitividade os dados não são tão animadores. De acordo com a pesquisa, a grande maioria dos entrevistados (62%) afirmou que passou ou vem passando dificuldades no desenvolvimento ou aperfeiçoamento de novos produtos. “Os altos custos para investimentos e pesquisa e dificuldade na obtenção de financiamento levam os empresários a desistir de novas tecnologias ou até mesmo de novos produtos”, diz Marco Reis.
De acordo com o diretor, a grande maioria das micro e pequenas empresas desconhecem mecanismos “baratos” para pesquisar e desenvolver novos produtos. “Apesar de 40% dos entrevistados ter dito que já recorreu a instituições financeiras para obter informações sobre atividades de inovação tecnológica, a grande maioria desconhece que universidades, institutos de pesquisa, órgãos como o Senai (Serviço Nacional da Indústria) e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) podem ajudar no desenvolvimento de projetos”.
Beth Matias