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Perdas no varejo: muito além do furto e prazo vencido

Os empresários do varejo não sabem medir, muito menos impedir, as perdas nos estabelecimentos. Essa é a conclusão do estudo realizado pelo diretor de negócios da Retail Gestão Empresarial e membro do Comitê de Prevenção de Perdas do Programa de Administração do Varejo da Universidade de São Paulo (Provar-USP), Ronaldo Santos.
Segundo o executivo, quando se fala em perdas, os comerciantes têm em mente apenas furtos e produtos estragados como os responsáveis. No entanto, explica, há muito mais desperdício na cadeia produtiva do que os varejistas imaginam. Porém, ele reclama que não há uma estimativa confiável sobre essas perdas no Brasil, diferentemente de outros países.

Segundo Santos, nos Estados Unidos, calcula-se que em 2001 foram perdidos cerca de US$ 20 bilhões pelos varejistas. Esse valor representa 1,6% da venda líquida total do setor no ano. Em Portugal, as perdas chegaram a US$ 90 milhões no mesmo ano, ou 1,5% da venda líquida. “O Brasil deve estar nos mesmos patamares, mas os estabelecimentos não falam sobre isso e alguns nem sabem quanto perdem”, diz.

Santos realizou uma pesquisa sobre o tema em 2002. Entretanto, apenas 53 varejistas aceitaram responder as questões. Pelo seu levantamento, aproximadamente US$ 375 milhões foram perdidos por essas empresas, o que representava 1,96% do faturamento líquido da época.

Entre as perdas não medidas pelos varejistas, o executivo cita problemas na logística, má negociação com fornecedores e fraudes. Por exemplo, um quilo de frango congelado, que tem que estar armazenado a 18ºC, fica duas horas no setor de recebimento (acontecimento freqüente em grandes redes de supermercados, segundo Santos). Como está fora das condições de armazenamento adequadas, pode estragar ou até perder soro ao descongelar.

“Nesse caso, o estabelecimento perde com produto estragado ou no mínimo com o peso que será alterado”, explica Santos.

Fraudes – Da mesma forma, fraudes do fornecedor, como injetar água no mesmo frango congelado para alterar o preço para o mercado, serão contabilizadas na conta final do varejista que vender o produto a granel.

Além dessas, Santos afirma que os comerciantes não conseguem gerenciar o peso das embalagens, seus estoques, degustação indevida por parte de funcionários e consumidores, danos técnicos, problemas na precificação e codifcação de mercadorias, quebra excessiva, manuseio, armazenagem inadequada, entre muitas outras. “Uma única grande rede de supermercados, ao avaliar suas perdas com degustação não permitida, chegou ao número de R$ 1,5 milhão de prejuízo”, revela Santos.

Em sua opinião, falta às empresas um sistema de gerenciamento de fraudes e metas. “Mesmo pequenos estabelecimentos podem fazer isso, basta observarem melhor toda a cadeia e não apenas os furtos.”

Fernanda Pressinott

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